terça-feira, 22 de maio de 2012

REUNIÃO DE PAIS E RESPONSÁVEIS NA ESCOLA: Momento de interação, diálogo e busca de soluções


Alexandro Muhlstedt

Introdução

A família deve participar das reuniões escolares e sempre que possível estar presente na instituição para trocar ideias com a equipe escolar, mesmo não sendo chamada, acompanhando de perto o desenvolvimento da criança e do adolescente. Dessa maneira, também criará vínculos e perceberá que a escola precisa da colaboração da família para que o trabalho tenha resultados positivos. Resultados estes relacionados ao desenvolvimento e aprendizagem do aluno.
No Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, de Curitiba, há quatro momentos anuais, previsto no Calendário, de reuniões na escola com as famílias dos alunos: fevereiro, maio, agosto e outubro. São semanas em que acontecem as reuniões de pais e responsáveis, não como mero evento protocolar para dar algumas satisfações aos pais, mas para efetivar o diálogo com as famílias e reavivar o papel social da escola.
O objetivo principal dessas reuniões, então, é compartilhar interesses e missões, tendo em vista os benefícios para o aluno, pois a relação entre a escola e os pais é entendida como uma relação de parceria. Nesses encontros os pais recebem orientações, esclarecem dúvidas e, assim, estabelecem uma relação de confiança e cooperação com os profissionais da escola. Também são informados sobre as ações da escola, bem como respondem a pesquisas e questionários sobre assuntos educacionais.
Do ponto de vista social, estar presente nas reuniões também traz benefícios aos pais e, consequentemente, ao aluno, pois a troca de vivências é grande, sendo que acontece o esclarecimento de dúvidas e o sentimento de participação se eleva. Afinal, é importante que os pais dos alunos se conheçam e troquem experiências. Nessa questão, um problema apontado pelos pais foi o caso de comportamentos indisciplinares dos alunos. Desordens, ofensas verbais, atitudes de grosseria, enfim, aquilo que se caracteriza de forma geral, como “falta de respeito” pode ser denominado indisciplina.
Este tem sido um dos problemas mais complexos vivenciados pela escola e tem se caracterizado como uma fonte profunda de estresse nas relações interpessoais, especificamente ao associar-se a situações de conflito no interior da sala de aula. Nota-se que a indisciplina gera, ainda, dificuldades para o desenvolvimento da aprendizagem, sem contar os prejuízos na formação moral e ética dos alunos.

A Pesquisa

Tendo em vista essa problemática, e partindo do pressuposto que a resolução dos casos de indisciplina devem priorizar ações partilhadas entre escola e família, no ano de 2011, nas reuniões de pais nos meses de maio e agosto, foi feito um levantamento minucioso junto aos pais sobre suas opiniões e percepções sobre essa problemática, por meio de um questionário. Foram questões abertas nas quais os pais poderiam expressar suas opiniões e indagações sobre o comportamento geral dos alunos. Os dados foram tabulados e organizados, e apresentaram como principais respostas o seguinte:
A primeira pergunta dizia:
PERGUNTA 1
O que você considera mais importante para resolver os problemas de indisciplina, mau comportamento e falta de respeito na turma de seu filho?
RESPOSTAS 1
(Foram inúmeras as respostas apresentadas pelos pais.
Num trabalho minucioso a Equipe Pedagógica sintetizou o que mais apareceu).
Avisar os pais por telefone, convocar à escola e cobrar que acompanhem de perto seu filho.
Chamar a Polícia no final das aulas para não haver brigas.
Cobrar que a família faça o seu papel: a educação básica vem de casa.
Cortar o horário do recreio e dar aulas mais puxadas, para não ter tempo de conversar.
Oferecer serviços na escola, como limpar as mesas, cadeiras e o pátio.
Proporcionar palestras aos pais e exigir que os pais participem de uma aula na sala do filho.

A segunda pergunta feita foi:

PERGUNTA 2
Que ações poderiam ser desenvolvidas aos alunos que continuam a causar problemas (que não cumprem as regras da escola, nem as obrigações de alunos)?
RESPOSTAS 2
(Foram inúmeras as respostas apresentadas pelos pais.
Num trabalho minucioso a Equipe Pedagógica sintetizou o que mais apareceu).
Acompanhar de perto esses alunos: conversar e incentivar.
Dar advertência e se não adiantar trocar de colégio.
Encaminhar o aluno para um acompanhamento psicológico.
Estabelecer normas mais rígidas, assinada pelos pais, com obrigações a serem feitas.
Ter uma sala de aula exclusiva para esse tipo de aluno para na prejudicar os alunos de bom comportamento.
Tirar fora da sala de aula e registrar a falta.

Esse conjunto de respostas para as duas questões, tabuladas nos meses de setembro a novembro, proporcionou vários questionamentos para a Equipe Pedagógica e Professores, o que contribuiu para implementar ações no cotidiano da escola com intuito de tomar atitudes que levassem em consideração os aspectos legais e morais, e também as opiniões manifestas dos pais.
Assim, para o ano letivo de 2012 decidiu-se retornar a pergunta aos pais, porém agora em questões objetivas, com o objetivo de analisar o percentual de escolha de respostas. Com isso, a Equipe entendia que poderia priorizar determinadas ações para o enfrentamento do problema de atos de indisciplina. Para isso, nas reuniões que ocorreram entre 07 a 12 de maio de 2012, foi aplicado aos pais um questionário sobre a questão de comportamento dos alunos. Foram aplicadas as duas questões novamente, com as seis alternativas para cada uma delas. O questionário foi respondido por 487 pais.

Os Resultados

Segue o resultado das respostas dos pais:

(Gráfico 1: Ações para resolver atos de indisciplina)

Percebe-se, então, que um pouco mais da metade dos pais (51%) considera que ser avisado sobre os problemas disciplinares de seus filhos em sala de aula colabora para amenizar ou eliminar os problemas disciplinares. Interessante que 32% dos pais considera que a escola deve cobrar da família que esta cumpra o seu papel de educar em casa. Castigo, servições escolares, palestra e chamamento da Polícia aparece em percentual menor e isso justamente demonstra uma mudança de pensamento em relação aos o que fazer quando as regras não são cumpridas. Os resultados sugerem que a maioria dos pais dão importância a formas de diálogo, bem como um posicionamento mais evidenciado da escola com relação às regras ali existentes.
Nota-se que, ao somar os dois resultados, 83% dos pais considera que exigindo que as famílias acompanhem de perto seus filhos, haveria uma maior conscientização de seu papel.

Para a pergunta número 2, o percentual de respostas foi:

(Gráfico 2: Ações para aluno reincidentes em atos de indisciplina)

Nota-se que 36% dos pais considera que é preciso haver regras rígidas na escola para fazer cumprir os ensinamentos de boa educação e respeito ao próximo, havendo, no entanto, a necessidade da escola organizar espaços para atendimento específico de cada caso (18%) e ampliar os canais de diálogo e tomada de consciência sobre os problemas causados (16%). Atitudes antes tomadas pela instituição de ensino (encaminhar a tratamento psicológico, advertência e retirada da sala) é percebido como eficiente por 29% dos pais. Assim, infere-se que fazer cumprir as normas definidas, dialogando e exigindo uma postura mais adequada dos alunos, parece ser um caminho mais apropriado, que foi apontado pelos pais nessa pesquisa.

Diante dos resultados, a Equipe Pedagógica concluiu que uma alternativa viável, e que já vinha acontecendo, é realizar o diálogo sério, “olho no olho”, dando espaço para que os alunos também sejam ouvidos e levados a perceber a necessidade de serem responsáveis. É questão de se estabelecer limites, negociar a melhor maneira de alcançar os objetivos a que se propõem, fazer perceber-se como integrantes de um grupo organizado, onde cada um tem seu espaço, seus direitos e seus deveres, e também tem a responsabilidade de respeitar os limites desse espaço para não prejudicar o espaço do outro. E nesse cotidiano, o papel da família tem de ser evidenciado e a participação desta deve ser buscada a fim de atingir os objetivos da escola.
Entende-se que a reunião de pais deve ser focalizada na troca de informações para que a partir desse ponto possa elaborar de forma conjunta uma solução, e que não se resuma somente em períodos de fechamento de notas, mas no decorrer de todo o ano. Por isso que a aplicação de questionários sobre comportamento vai nortear, de certa forma, a tomada de decisões para melhorar os níveis comportamentais dos alunos. A partir desses questionários aos pais faz-se levantamentos precisos sobre as opiniões e posições dos pais ante as questões que envolvem a escola, a educação e os processos de ensino aprendizagem. Afinal, a educação deve ser instituída com a participação efetiva dos pais na escola. E os pais, de algum modo, precisam ser ouvidos. Os questionários, então, são ferramentas que nos ajudam a ouvir as famílias, compreender os anseios e tomar decisões para melhoria da escola.

Considerações Finais

As reuniões já fazem parte da realidade do Colégio Zardo como algo harmonioso e um centro de soluções para vida escolar dos alunos. Sabe-se que a educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar e a interação entre ambos é muito importante para a efetivação do processo ensino-aprendizagem. Os pais que participam das reuniões na escola conhecem e acompanham melhor o trabalho da escola e, além disso, supervisionam os estudos, o cumprimento de tarefas e também os progressos e dificuldades de seus filhos. Essa participação na vida escolar possibilita uma revalorização do saber e os filhos compreendem que estudar é importante. Tendo mais contato com o trabalho que a escola desenvolve, os pais compreendem melhor as dificuldades e os empecilhos que existem no processo de ensinar e aprender, tornando-se mais aptos a colaborar.
E há um resultado positivo, que é indireto, que, quando demonstram confiar na escola, os pais ajudam a reconstruir a autoridade do professor, hoje um item fundamental para que a aprendizagem possa ocorrer. Pois quando os alunos não confiam e/ou não respeitam os docentes, não aprendem.
No Colégio Zardo, incentiva a participação dos pais dos alunos sabendo da importância destes para o desempenho escolar, sem contar que a comunidade tem um papel importante na construção da autonomia da escola, porque essa ocorrerá na medida em que a escola esteja a serviço dos interesses autênticos da população.
Os pais são capazes de apontar problemas e dar sugestões para a resolução dos mesmos. No Colégio Zardo, compreende-se que a participação dos pais não deve ser encarada como sendo debilidade, último recurso quando as coisas não andam bem (mau comportamento ou notas baixas), ou como necessária apenas nos eventos festivos promovidos pela escola. O aluno cuja família participa de forma mais direta no cotidiano escolar, em diferentes momentos, apresenta um desempenho superior em relação aos alunos cujos pais estão ausentes do seu processo educacional.

Por fim, entendendo que a interação é uma possibilidade de enriquecimento mútuo e de ampliação do espaço democrático na escola, é que se desenvolvem processos para que os pais dos alunos que estudam no Colégio Zardo conheçam como essa escola funciona, opinem e sugiram ações. Esse diálogo, espera-se, amplie-se nas casas, pois, ao conversarem com o filho sobre o que acontece na escola, os pais também cobram dele comportamento mais adequado, ajudam a fazer o dever de casa, falam para não faltar à escola, tirar boas notas e ter hábitos de leitura. E assim, os pais estarão contribuindo para que este obtenha melhores notas e, mais que isso, motiva a frequência deste às aulas, contribui para que haja um espaço menos violento e aumenta a postura de respeito às pessoas e ao patrimônio escolar.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

REFLEXÕES SOBRE O COTIANDO ESCOLAR: Ensino, Aprendizagem e Trabalho Docente no Colégio Zardo

Em 31 de março ocorreu a primeira reunião pedagógica de 2012 dos professores e pedagogos do Colégio Estadual Francisco Zardo, de Curitiba. A discussão foi em torno de aspectos descritos no Projeto Político Pedagógico e Regimento Escolar sobre Ensino, Aprendizagem e Trabalho Docente. As atividades da reunião foram organizadas em exposição sobre os temas pela Direção e Equipe Pedagógica, seguido por trabalho em grupo no qual os professores discutiram e realizaram sínteses para serem partilhadas em plenária. O texto a seguir é resultado do que os professores elaboraram, bem como as linhas gerais de análise e avaliação dos temas discutidos.
Um dos temas abordados, no aspecto ensino, foi sobre a aplicação das tecnologias digitais, na metodologia do ensino. Constata-se que há deficiência na formação prática do professor no uso das tecnologias. A maioria dos docentes não teve nenhuma prática voltada às tecnologias durante seus estudos acadêmicos, visto que muitas das tecnologias são relativamente novas. Para preencher essa lacuna, é necessário que o professor busque essa qualificação. É possível buscar o conhecimento a respeito das tecnologias através de cursos presenciais ou a distância (inclusive ofertados por diversas instituições de maneira gratuita) e contar com a ajuda de colegas mais familiarizados com a tecnologia. Também pode haver a inclusão de aulas práticas de tecnologia durante semana pedagógica.
É importante ressaltar que apenas a habilidade no manuseio dos equipamentos tecnológicos não habilitará o professor para tal prática, mas sim um esclarecimento e delineamento do seu encaminhamento pedagógico relacionado e contextualizado. Não basta dominar a tecnologia, deve-se saber atrelar ao conteúdo que se pretende trabalhar, para que os recursos se tornem um meio de produção do conhecimento muito valioso na prática pedagógica. Nesse sentido, é de fundamental importância que a SEED se preocupe com essa questão e oferte cursos que realmente ensinem a prática de como utilizar essas novas tecnologias. Mesmo assim, o professor deve buscar métodos e formas de melhorar suas aulas utilizando recursos já disponíveis com a tecnologia digital. A experimentação e a avaliação dos resultados são fundamentais para utilizar como parâmetros. Isso servirá de base para próximas elaborações das aulas. Outra forma é a troca de experiências que devem ocorrer entre os professores, principalmente em experiências bem sucedidas.
Ainda sobre ensino, foi levantada a questão sobre a importância da elaboração do Plano de Trabalho Docente (PTD) que é um norte para as ações dos professores. Mesmo definindo esse norte, o PTD pode sofrer variações em função de acontecimentos que aparecem no decorrer do ano letivo tais como: mudança do número de alunos (para mais ou para menos), nível da turma, características das diferentes turmas (ritmo de aprendizado, por exemplo), etc.
O Plano de Trabalho Docente dará todo o embasamento para o trabalho do professor. O seu conteúdo delineará o caminho a ser seguido e facilitará todo o trabalho pedagógico, visto que permitirá o planejamento antecipado de todos os conteúdos de maneira organizada e ordenada. Também é importante para que a escola se organize no caso de uma eventual necessidade de afastamento do professor, pois assim o seu sucessor ou substituto poderá prosseguir dentro do que foi planejado. A elaboração do plano docente permite um melhor direcionamento e objetividade nas aulas, que reflete em maior interesse dos alunos que percebem a objetividade do professor.
Refletimos também sobre o aspecto aprendizagem e a prática do professor, que tem um reflexo direto no comportamento e aproveitamento do aluno (tanto em questões de aprendizagem quanto de indisciplina). Afinal, o modo como o professor trabalha terá influência, pois os alunos sabem muito bem identificar um professor que está preparado para dar o seu conteúdo e para manter a ordem em sala de aula. Os alunos testam muito os professores, principalmente no início com uma nova turma, que sempre busca saber “até onde pode ir com determinado professor”. É comum comentários dos alunos do tipo que com professor X pode-se “fazer bagunça”, já com professor Y o pessoal se comporta. Então, o que leva esses alunos a tirarem essa conclusão é o modo como o professor conduz a sua aula e a sua sala de aula. Logicamente existem turmas mais agitadas e mais difíceis de se manter a ordem do que outras, mas certamente o preparo do docente em lidar com determinadas situações influenciará muito. Observa-se também que, infelizmente estamos em um momento onde os alunos refletem na escola a sociedade do portão para fora. Falta uma adequação para conviver e lidar com as situações que estão aparecendo no dia-a-dia escolar.
Conforme elaboração do plano de aula individualizado, cabe a cada docente desenvolver o seu planejamento utilizando recursos diferenciados para que o objetivo seja concretizado. Quando não acontece em algumas “turmas”, avaliar com cuidado o problema e buscar soluções junto à equipe pedagógica e pais. O professor que planeja suas aulas fica mais motivado para ministrar suas aulas e isso reflete automaticamente no comportamento do aluno que percebe que o professor gosta do que faz e realmente está preparado para ministrar os conteúdos. Assim, é mais fácil atingir, pelo menos na maioria, a disciplina dos alunos. O professor deve planejar bem o conteúdo, saber transmitir o que planejou, a aula não pode ser monótona, pois isso leva o aluno à indisciplina. Em casos de indisciplina, o professor deve ser claro em sua postura em relação ao aluno, caso não consiga, comunicar a equipe.
Hoje o bom professor não é aquele que detém o conhecimento e busca transmitir ao aluno e sim aquele que encanta o aluno e o instiga a buscar mais informações sobre o assunto trabalhado. O professor deve sempre manter a postura de mestre, mesmo sabendo que não resolverá todos os problemas da indisciplina, mas será a referência que muitos não possuem nos seus lares.
Um desafio que se apresenta no cotidiano da escola é lidar com os alunos que não têm vontade de aprender e vêm para a escola obrigados pela instituição e / ou pelos pais. Verifica-se nos dias de hoje que o desinteresse dos alunos pelos estudos tem sido um problema sério. A maioria dos alunos vem desmotivada, não vendo claramente a função da escola e nem o quanto aquele conhecimento que está sendo passado a eles será útil no futuro. Quando analisados os motivos pelos quais existe essa falta de interesse e de vontade, podem-se elencar algumas probabilidades: a rapidez de informação nos dias de hoje, com recursos como a internet, variados canais de TV, rádio etc faz com que eles se interessem mais nos aparatos tecnológicos do que na aula propriamente dita. Temos que competir com mídias atrativas, que também podem se tornar nossas aliadas, pois com a utilização de recursos variados podemos tornar as aulas mais atrativas para despertar o interesse dos nossos alunos. Certamente não conseguiremos fazer “aulas show” a todo instante, não devemos ser utópicos, pois todos sabemos da dificuldade com relação a tempo de preparação, provas e trabalhos para corrigir e elaborar, etc. Porém com esforço poderemos planejar atividades interessantes e utilizarmos materiais e métodos diversificados com uma certa frequência.
A questão de alunos com mau comportamento envolve principalmente o relacionamento entre os pais e os filhos, sendo que a desmotivação é reflexo de questões psicológicas complexas individuais do aluno, que pode ser acentuada por uma situação ou outra escolar, porém é questão familiar. A escola pode ajudar ofertando condições boas de estudos, mas o foco do problema é uma questão familiar e clínica. Temos alunos do Ensino Médio que já dirigem, trabalham, vão a festas, já iniciaram sua vida sexual e ao entrar numa sala de aula acredita que está perdendo seu tempo.
Ante a isso, analisamos também as atribuições previstas em lei que cabem ao professor. Pode-se pensar que os docentes não conseguem cumprir todas as suas atribuições, mas o que acontece é que não conseguem cumprir todas as suas atribuições sempre. O essencial, que é passar o conhecimento, construir saberes junto aos alunos e fazer com que a toda aula algo seja acrescentado a vida de cada aluno, de alguma forma é realizado. Muitas vezes os professores se veem frustrados por não conseguirem fazer com que o aluno realmente abra a sua mente e perceba a importância do que está sendo passado a ele. Acontece de muitas vezes o aluno questionar o professor para que aquele determinado assunto seria útil em sua vida futura. Muitas vezes os professores entram em sala de aula com bastante ânimo, propondo um trabalho ou um projeto, ou tentando utilizar um recurso diferente durante a aula, e percebe-se que esse nosso ânimo não é recíproco.
Fazendo um balanço de fatores que dificultam o cumprimento das atribuições docentes pode-se citar a falta de tempo para uma elaboração satisfatória de aulas e, mais ainda do que tempo, seria mesmo o desinteresse por parte dos alunos. O docente somente consegue cumprir as suas atribuições se levar trabalho para casa, pois são muitas turmas, com número excessivo de alunos, sendo que um ano letivo é diferente do outro no planejamento das aulas, provas, trabalhos e tarefas. E as correções disso tudo toma bastante tempo.
Um outro aspecto que dificulta o docente de cumprir as suas atribuições é o número de turmas, pois deixar tudo em dia é sempre um desafio e neste ponto o professor precisa organizar muito a sua prática e sua rotina de trabalho.
Para o cumprimento das atribuições docentes no Colégio Zardo, percebe-se que a organização, a união e a comunicação adequada têm feito a diferença. Tem havido um planejamento da equipe pedagógica com tempo hábil para realizar as tarefas propostas. A equipe escolar tem oferecido subsídios suficientes para um bom cumprimento do papel docente: apoio pedagógico e material, inclusive para o uso das tecnologias digitais. A disciplina dos alunos de modo geral tem melhorado dentro e fora da sala de aula, já não se vê a correria e desorganização que era comum diariamente nos horários de entrada e saída, pelos corredores dos blocos. Com os alunos entrando de maneira ordenada fica bem mais fácil de permanecerem assim também em sala de aula.

Por fim, a instituição pode e deve estar sempre investindo para que a aprendizagem seja sempre de qualidade, pois também é responsável pelo êxito do docente, que necessita de condições favoráveis para a execução, com ferramentas adequadas para concluir o seu plano de trabalho. A aprendizagem acontece e é de qualidade com um bom desempenho dos educadores e plano de trabalho bem feito.

terça-feira, 20 de março de 2012

A ADAPTAÇÃO DE ESTUDOS: Possibilidades de ajustes didáticos em épocas de transição

Alexandro Muhlstedt

Adaptação de estudos ocorre quando um aluno transferido apresentar, no ato da matrícula, histórico escolar com modelo curricular diferente. Também vale para remanejamento de curso técnico para o curso regular.
Os estudos de adaptação curricular têm a função de auxiliar na transição de um esquema para outro.
Portanto, não devem ser entendidos como o caminho para resolver tão somente um problema administrativo de documentação escolar, mas devem ser compreendidos como recurso para que possa ser oferecido ao aluno um currículo capaz de alcançar os objetivos do respectivo nível de ensino, sempre na perspectiva do Projeto Político Pedagógico da escola.
Adaptações de estudos são feitas sob a orientação da Equipe Pedagógica e Administrativa tendo por finalidade a complementação de carga horária e/ou componentes curriculares ausentes, visando o ajustamento necessário ao novo modelo curricular.
Na análise comparativa dos modelos curriculares são considerados:
  • o cumprimento de vinte e cinco por cento (25%) da carga horária destinada a parte diversificada do currículo mínimo exigido pela legislação em vigor, correspondente a duzentas (200) horas anuais;
  • a integralização das disciplinas da base nacional comum que compõem a matriz curricular da escola ou curso para qual o aluno foi transferido / remanejado.
De acordo com os Artigos 28 e 29 da Deliberação nº 09/01, do Conselho Estadual de Educação – CEE:

Art. 28 – Adaptação de estudos é o conjunto de atividades didático-pedagógicas desenvolvidas, sem prejuízo das atividades previstas na Proposta Pedagógica da escola em que o aluno se matricular, para que este possa seguir o novo currículo.
§ 1.º - A adaptação far-se-á, pela base nacional comum.
§ 2.º - A adaptação de estudos poderá ser realizada durante os períodos letivos ou entre eles, a critério da escola.
Art. 29 – Para efetivação do processo de adaptação, o setor responsável do estabelecimento de ensino deverá comparar o currículo, especificar as adaptações a que o aluno estará sujeito, elaborar um plano próprio, flexível e adequado a cada caso e, ao final do processo, elaborar a ata de resultados e registrá-los no Histórico Escolar do aluno e no Relatório Final encaminhado à SEED.

Já no Parecer N.º 124/07 do CEE explica que:

Alunos transferidos de determinados estabelecimentos de ensino podem encontrar disposições curriculares diferentes das Escolas de origem, sendo indispensável a adaptação, seja para ter continuidade de estudos de conteúdos já iniciados na origem ou até mesmo para suprir a ausência
da oferta de determinadas disciplinas, entre elas a de Língua Estrangeira Moderna que podem ter previsão de organização curricular diferente na escola de destino.
O que não pode restar dúvida para a escola de destino, a qual emitirá a certificação de conclusão de seu aluno, é que o currículo do curso deve ser integralizado pelo aluno, isto é, que o Histórico Escolar expresse a formação do ensino e em que esteja em conformidade com o estabelecido na LDB e demais normas que integrem o Sistema.
Ao receber o aluno, a Escola, representada pela sua direção, é co-responsável pela formação daquele, devendo oferecer-lhe condições de continuidade de estudos. Assim, a equipe pedagógica deverá fazer o cotejo entre o Histórico Escolar da escola de origem apresentado pelo aluno frente a sua Proposta Pedagógica, possibilitando-lhe formas de adaptação de estudos visando a integralização curricular, sem o que a vida escolar do aluno estará em franca irregularidade frente às normas do Sistema.

Como é sabido, o Projeto Político Pedagógico e o Regimento Escolar são os documentos magnos da instituição de ensino e neles encontram-se os encaminhamentos sobre quais as formas de aproveitamento de estudos são adotadas e como serão desenvolvidas.
No Regimento Escolar do Colégio Zardo consta a questão da Adaptação nos Artigos 138 a 141.
Da Adaptação
Art. – 138 A adaptação de estudos de disciplinas é atividade didático-pedagógica desenvolvida sem prejuízo das atividades previstas na Proposta Pedagógica Curricular, para que o aluno possa seguir o novo currículo.
Art. – 139 A adaptação de estudos far-se-á pela Base Nacional Comum.
Parágrafo Único – Na conclusão do curso, o aluno deverá ter cursado, pelo menos, uma Língua Estrangeira Moderna.
Art. – 140 A adaptação de estudos será realizada durante o período letivo.
Art. – 141 A efetivação do processo de adaptação será de responsabilidade da equipe pedagógica e docente, que deve especificar as adaptações a que o aluno está sujeito, elaborando um plano próprio, flexível e adequado ao aluno.
Parágrafo Único – Ao final do processo de adaptação, será elaborada Ata de resultados, os quais serão registrados no Histórico Escolar do aluno e no Relatório Final.

Desse modo, destacamos os procedimentos da Equipe Pedagógica e Administrativa sobre o assunto:
1. No ato da matrícula, ou rematrícula, a secretaria confere a necessidade de adaptação ou não, de acordo com análise da matriz curricular.
2. A secretaria apresenta a lista para a Equipe Pedagógica.
3. Os alunos devem procurar a Equipe Pedagógica a fim de serem informados sobre as atividades de Plano Especial de Estudos para cumprir as atividades de adaptação. Será feito o registro na Ficha do aluno e em Ata.
4. Os alunos receberão o informe da Equipe Pedagógica.
5. Os alunos apresentarão o informe pedagógico aos professores, no qual há a indicação do ano e bimestre que necessitam ser avaliados.
6. O professor deve constar no Informe quais atividades e avaliações o aluno deverá realizar, de acordo com o Plano de Trabalho Docente da série / bimestre que o aluno deverá cumprir.
7. Essas avaliações deverão ter como instrumento uma prova (valor 6,0) e um trabalho (4,0) que totalizam 10,0 pontos.
8. O professor entrega aos alunos ou encaminha que o mesmo retire na sala do xérox.
9. Após correção realizada, os professores deverão lançar, bimestralmente, as notas no livro de Registro de Classe (a partir da página 31) e na folha do informe pedagógico.
10. Anexar os trabalhos corrigidos junto ao informe pedagógico, para arquivamento no setor pedagógico.
11. No Conselho de Classe, o professor deverá apresentar cópia do canhoto com a média obtida pelo aluno de adaptação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COLÉGIO ZARDO. Regimento Escola. Curitiba: 2007.
PARANÁ. Deliberação nº 09/01, do Conselho Estadual de Educação – CEE. Delibera sobre Matrícula de ingresso, por transferência e em regime de progressão parcial; o aproveitamento de estudos; a classificação e a reclassificação; as adaptações; a revalidação e equivalência de estudos feitos no exterior e regularização de vida escolar em estabelecimentos que ofertem Ensino Fundamental e Médio nas suas diferentes modalidades. Aprovada em 01/10/2001.

______. Parecer N.º 124/07 do Conselho Estadual de Educação - CEE sobre Consulta sobre adaptação curricular da disciplina de Língua Estrangeira Moderna no Ensino Médio. Aprovado em 28/03/07.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

PESQUISA SOBRE O PERFIL DA JUVENTUDE 2011 DO COLÉGIO ZARDO

Alexandro Muhlstedt

O importante é não cair em suspeitas estigmatizadoras,
que ensurdecem o diálogo, se falam entre si, mas não se escutam;
nem tampouco em idealiza-ções, que terminam em um monólogo, onde um se silencia admirado com o outro.
(Leiva, 2007. p. 50)
INTRODUÇÃO

Muitas vezes “fala-se dos jovens”, mas poucas vezes se “fala com eles”. Esta falta de diálogo com os alunos conduz a uma visão dos alunos altamente simplificada, que se traduz numa homogeneização em que desaparece a pessoa e se vê estritamente o aluno; a distinção dos alunos é baseada em estereótipos e na presunção de que os alunos só agem corretamente quando vigiados.
Hoje reconhece-se o valor da diversidade, mas não se aceita com facilidade a pluralidade dos jovens tratando-os como uma massa uniforme em que cada um deles carece de uma identidade própria (LEIVA, 2007, p. 36). Por isso, decidiu-se por organizar um perfil dos alunos que estudam no Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, de Curitiba, para compreender melhor o universo desses sujeitos.
Assim, as informações que compõem a pesquisa que se segue é resultado da coleta de dados de 796 estudantes do Ensino Médio (1ª a 3ª série), entre 15 e 21 anos, distribuídos nos turnos da manhã, tarde e noite. Os dados foram coletadas no mês de agosto e tabuladas no mês setembro de 2011. O objetivo principal foi conhecer melhor alguns interesses da juventude que estudava no colégio naquele ano.
Foi organizada pela Equipe Pedagógica da escola, tendo como fundamento o levantamento de dados para compor o Projeto Político Pedagógico 2012-14. O instrumento utilizado – questionário - foi aplicada pelos alunos monitores de turma.
No dia 24 de agosto de 2011 os alunos monitores de todas as turmas do Ensino Médio Regular e Integrado, participaram de reunião, em seus respectivos turnos, com a Equipe Pedagógica, a qual repassou as orientações de como aplicar o questionário em suas turmas. Tratava-se de um questionário, composto por 08 perguntas, que deveria ser respondido por todos os alunos, em espaço de aula cedida pelo professor, e, em seguida recolhido e entregue aos pedagogos do turno.
Compreende-se que a importância de se conhecer com maior profundidade o que o aluno pensa da Escola e o que dela espera, bem como as suas aspirações, os seus códigos e os seus valores de referência, e, posteriormente, considerar estes dados como básicos, na elaboração de ações que contribuam para sua aprendizagem.
Ser aluno ou aluna não é só o desempenho de um papel, um exercício de um conjunto de direitos e deveres para estar numa posição determinada. Cada jovem vive a sua experiência de ser estudante de uma forma particular e atribui um sentido subjetivo próprio ao trabalho que realiza.
Por isso, torna-se importante conhecer quem são esses alunos, o que pensam, o que gostam, quais seus anseios.
As perguntas formuladas eram as seguintes:

(Questões aplicadas aos estudantes)

Em posse dos questionários respondidos pelos alunos de todas as turmas, a Equipe Pedagógica da escola, auxiliada por estagiários de Pedagogia da Universidade Tuiuti e funcionários da Secretaria da escola, tabularam os dados, digitaram e organizaram os gráficos.
Foi um trabalho demorado e minucioso, que exigiu muita atenção, tendo em vista o grande número: 796 questionários.
Segue o percentual das respostas ofertadas pelos alunos:


PERGUNTA 01
O que você mais gosta na escola?

(Gráfico 1: O que mais gosta na escola)

Ao serem indagados sobre o que mais gostam na escola, nota-se que mais da metade dos alunos gosta dos momentos de encontro (Amigos: 27% e Recreio: 24%). Isso deixa claro que os estudantes estão na escola mais interessados nas Amizades que no estudo propriamente dito. A escola acaba sendo um ponto de encontro e não exatamente local onde se estuda e se apropria de conhecimentos.
Talvez isso explique as observações de professores quando dizem os alunos “não querem nada com nada”. Apesar que 19% diz gostar de estudar, ou seja, a atividade escolar ainda é algo que desperta interesse em parcela dos estudantes.
Sabe-se que a tarefa pedagógica da escola é sócio-educacional e não terapêutica, deve inserir gradualmente o aluno na corrente dos conhecimentos e instrumentos produzidos pelos coletivos humanos e incorporá-lo à vida social, principalmente permitindo-lhe acesso a várias esferas da cultura. E isso acontece porque as forças do desenvolvimento estão no meio social, no encontro com outras pessoas, nas relações comunicativas e colaborativas.
Levando em consideração esse princípio, a educação escolar precisa abranger ações que promovam a participação ativa do aluno na vida social, o que vai muito além das propostas que até hoje se dirigem para melhorar a “socialização” do aluno e colocam o domínio de conteúdos escolares como objetivo secundário, se tanto. Dessa maneira, o aluno fica “de corpo presente” no ensino comum, na melhor das hipóteses avançando nas habilidades “sociais”, porém sem aprender ou aprendendo muito pouco.
Como se percebe pelas respostas de 27% dos alunos, a amizade é um elemento primordial na sua vivência escolar. Valorizar as vivências de amizade pode ser tanto uma forma de reafirmar a identidade, quanto possibilidade de questionamento de pontos de vista apresentados e entendidos como verdades pelos jovens. Afinal, a amizade possibilita enxergar os acontecimentos de diferentes perspectivas, através de trocas que contribuem para aprendizagem.
Segundo o dicionário Aurélio, amizade é “sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual” ou ainda pode ser “estima, simpatia ou camaradagem entre grupos”. Em sentido amplo, a amizade é um relacionamento entre pessoas de fora dos laços familiares, baseado na confiança e no prazer de compartilhar experiências vividas, inclusive segredos e aspectos da intimidade pessoal.
É neste sentido que a amizade entre os adolescentes funciona como uma forma de se mostrarem ao mundo como sujeitos dotados de aspirações e desejos próprios, além de demonstrarem a necessidade de escaparem de identidades sociais já fixadas pela sociedade. Em um mundo que se apresenta com tanta diversidade as amizades acabam se tornando um encontro de iguais e, assim, formam-se os grupos que possibilitam a expressão de uma maneira mais espontânea.
Além da sala de aula, essas amizades se concretizam e se firmam nos momentos de recreio, sendo, portanto, um momento imprescindível na rotina escolar, destinado a possibilitar atividades prazerosas de caráter relativamente livre. Por serem atividades distintas das que ocorrem em sala de aula ou em outros horários da rotina acaba sendo o momento preferido dos jovens.
Escutar os alunos sobre suas amizades remete a tentar compreender outros temas como o respeito mútuo, condutas pró-sociais, intervenções por meio de procedimentos didáticos, como o trabalho em pequenos grupos, e a compreender que existem diferentes formas de representar a amizade.

PERGUNTA 02
O que você menos gosta na escola?


(Gráfico 2: O que não gosta na escola)


     De acordo com 25% dos alunos que responderam o questionário estudar é o que menos gostam na escola, sendo que 22% não gostam dos professores. Ou seja, a atividade precípua da escola, bem como o sujeito do ensino (professor) não despertam o gosto dos alunos. Pode-se inferir que, quando se trata de estudar, cumprir horários, respeitar o professor e ter disciplina isso gera rejeição e reflete, de certo modo, a situação atual da sociedade que privilegia o "jeitinho brasileiro" e despreza a pontualidade.
    As dificuldades de conviver com regras e limites vão sendo vivenciadas tornando as gerações futuras permissivas e fazendo "vista grossa" aos pequenos "delitos".
    Como se sabe, tanto adultos quanto adolescentes e crianças só aceitam que outra pessoa os ensine quando existe uma relação de confiança. O jovem só aprende com aqueles a quem delegou o direito de ensinar. E só dá esse direito a quem ele confia. É um processo inconsciente. E para estabelecer essa confiança, primeiro é preciso criar um laço afetivo. Se a convivência com o professor é ruim, o aluno começa a rejeitar o processo de aprendizagem e se torna indócil e desinteressado. Por extensão, deixa de gostar de estudar. Consequente, a escola deixa de ser um fato de desenvolvimento e aprendizado e passa ser um local de punição. 
PERGUNTA 03
Qual é a disciplina de sua preferência?


(Gráfico 3: Disciplina preferida)

A disciplina preferida (Educação Física – 34%) é aquela que se acontece, em sua maioria, fora da sala de aula, dando a sensação de maior liberdade aos estudantes.
A Educação Física tem uma vantagem educacional que poucas disciplinas têm: o poder de adequação do conteúdo ao grupo social em que será trabalhada. Esse fato permite uma liberdade de trabalho, bem como uma liberdade de avaliação – do grupo e do indivíduo – por parte do professor, que pode ser bastante benéfica ao processo geral educacional do aluno. Talvez seja um dos motivos pelos quais os alunos tem essa disciplina como a preferida.
Matemática e Química, disciplinas que tradicionalmente geram mais dificuldades aparecem como preferidas (14% e 9%, respectivamente) não exatamente pelo conteúdo destas, mas justamente porque os estudantes tendem a se esforçar mais para aprenderem, temendo a reprovação.
Isso se reflete no grande número de alunos com notas baixas em ambas as disciplinas. Caso gostassem de verdade, estudando pra valer, talvez não haveria esse fenômeno.

PERGUNTA 04
Que tipo de música você mais gosta?

(Gráfico 4: Estilo de música)

Dentre alguns fatores que influenciam nas atitudes de uma comunidade está a música, tanto pelo ritmo quanto pelas mensagens de suas letras. A música foi, e ainda é, instrumento marcante da hegemonia de uma cultura sobre outras, como base para esta afirmação. Desde os anos 50 tem havido a predominância das músicas internacionais (em especial as norte-americanas) sobre a cultura brasileira. Dessa perspectiva, entende-se que o estilo prefiro dos jovens do Colégio Zardo seja o rock (26%). No entanto, dois estilos tipicamente brasileiros, sertanejo (20%) e pagode (6%) aparecem na preferência dos alunos. Os outros estilos são todos internacionais.
A música tanto ajuda no desenvolvimento intelectual como no estímulo a criatividade e também na possibilidade de expressar nossos diversos sentimentos por meio dos sons.

PERGUNTA 05
O que você faz para se divertir?


(Gráfico 5: Diversão)

Em relação à diversão, foram bem significativas as escolhas por atividades com amigos (sair com amigos 36%, esportes 18%).
Permanecer conectado em redes sociais (18%), tocar instrumento musical (13%) e jogos (85) aparecem em seguida como possibilidades de atividades mais isoladas.
Entende-se que as atividades com o grupo de amigos, na questão de liberdade, representa o oposto do adulto (família, professor, vizinho) “limitador”; o amigo é aquele que estará junto para viver essa “liberdade” que o jovem tanto deseja. Para o adulto (que pode até ser um amigo, mas normalmente é uma amizade restrita) fica a parte desagradável das limitações, que eles demonstram entender que são necessárias e aos amigos o desfrute da liberdade.

PERGUNTA 06
Qual é a pessoa de sua maior confiança?


(Gráfico 6: Pessoa de maior confiança)

Um amigo é a pessoa de maior confiança para 36% dos jovens, demonstrando o papel deste em suas vidas e confirmando a importância da amizade. Mãe (22%) e pai (16%) aparecem como figuras influentes em se tratando de pessoas confiáveis para os jovens.
A amizade entre os jovens surge como um “falar a mesma língua” e parece ser uma referência de descontração, lealdade, confidências de segredos e ajuda mútua.
Entre eles a relação fica em um nível de igualdade e parece não haver a cobrança típica do adulto. Assim, as amizades acabam se tornando um encontro de iguais e formam-se os grupos de jovens que possibilitam se expressar de uma maneira mais espontânea. Desse modo, a amizade é um relacionamento livre das exigências postas pela família ao indivíduo. Isso não significa que o constituir amizades não tenham participação da cultura, do ponto de vista da abertura dos indivíduos a esse tipo de laço, de restrições ligadas ao grupo de pertença dos sujeitos.

PERGUNTA 07
Qual é a maior dificuldade enfrentada pelos jovens?


(Gráfico 7: Maior dificuldade enfrentada)

Em relação às dificuldades e problemas enfrentados pelos jovens na atualidade, a pesquisa constatou que 30% aponta as drogas como fator que atrapalha a vida do jovem hoje.
Segundo o dicionário Houaiss (2004), vício é um hábito nocivo e incontrolável. O marketing realizado pelas indústrias do vício (álcool e tabagismo) capitaliza bilhões por ano, enquanto que na prevenção desses vícios, as cifras são quase irrisórias. O problema pode ser compreendido da perspectiva que a droga e o álcool podem passar a ser o outro com o qual muitos jovens se relacionam, tentando fugir da sensação angustiante de solidão e de falta de sentido. Embora a sensação do jovem que se droga ou bebe seja de onipotência, na realidade ela esconde um terrível experiência de impotência e um profundo esvaziamento do Eu, que, ao reaparecer nos períodos de abstinência, volta a alimentar de forma poderosa a necessidade de “fuga” para o consumo de produtos que ofereçam acesso aos paraísos artificiais.
Já 21% dos jovens que responderam à pesquisa tem o Bullying como principal problema.
A violência manifesta no ambiente escolar através de práticas como o “bullying” vem, paulatinamente, chamando atenção de diferentes setores da sociedade brasileira (governos, meios de comunicação, organizações não-governamentais, escolas, universidades), seja visando à identificação deste fenômeno, seja demandando intervenções para resolução do problema.
Sabe-se que a violência entre jovens, em sua forma física ou simbólica, não é um problema novo no cotidiano da escola. Esta muitas vezes compreendida como lugar de exclusão de grupos minoritários e de reprodução de situações de violência e discriminação (DEBARBIEUX, 2002, DUBET, 2004). Entretanto, por seu caráter multifacetado a violência escolar vem assumindo, contemporaneamente, novas dimensões e significados a partir de diferentes contextos sócio- culturais.
Para Fante (2005) a violência escolar nas últimas décadas adquiriu dimensão crescente em todas as sociedades, questão preocupante é a incidência de sua manifestação em praticamente todos os níveis de ensino. Neste sentido, uma forma sutil de violência que vem ganhando maior visibilidade no espaço escolar é o chamado bullying.
De um ponto de vista sócio-antropológico o fenômeno bullying emerge de ações discriminatórias por vezes dissimulada, tratando-se de um tipo de exclusão social capaz de oprimir, intimidar e machucar gradativamente (GUARESCHI, et al., 2008). Começa frequentemente pela não aceitação de uma diferença (FANTE, 2005), estabelecendo-se a partir daí relações desiguais de força ou violência simbólica (BOURDIEU, 2011) entre pares.

PERGUNTA 08
Qual é a maior dúvida / angústia entre os jovens?


(Gráfico 8: Maior dúvida e angústia entre os jovens)

O futuro (28%), a escolha da profissão (16%) e conseguir emprego (14%) aparecem como questões de angústias e indagações para os jovens.
Temer o futuro é tipicamente comportamento oriundo da ansiedade que é uma dificuldade íntima de lidar com o tempo. Há uma expectativa exagerada com relação ao futuro, seja positiva ou negativa. Quando o ansioso espera que algo bom aconteça, ele deixa que suas expectativas entusiasmadas tomem conta do seu dia-a-dia, mal podendo esperar o futuro chegar. Se, pelo contrário, o ansioso teme que algo negativo ocorra, ele se deixa tomar pelo medo e angústia, desejando que o futuro nunca chegue ou cedendo tempo mental para pensamentos temerosos e catastróficos. Esse temor acaba tomando maiores proporções quando o jovem é pressionado a escolher uma profissão e arranjar um emprego.
Realmente escolher uma profissão não é uma decisão fácil, mas algumas atitudes podem ajudar, o fundamental é conhecer as diversas profissões existentes no mercado, bem como especializações, ou seja, as diferentes opções que existem.
Para isso, buscar informações sobre uma profissão, não só no que diz respeito ao exercício da mesma, mas como está o mercado de trabalho, a faixa salarial para o profissional que a exerce, o campo de atuação profissional, como a mesma é aceita e inserida na sociedade, é fundamental.
Não há como prever todo o futuro só com a escolha da profissão, afinal, esta é um dos componentes de um projeto de vida, necessitando ter em mente que o mercado muda, as pessoas mudam. É preciso estar preparado para, muitas vezes, ter de ajustar o caminho.
A escolha da profissão implica uma dimensão temporal que precisa ser integrada e percebida pelo jovem, esse deve optar não só por um curso ou por uma atividade que poderá desempenhar no seu futuro trabalho, mas também por um estilo de vida, uma determinada rotina e ambiente de trabalho que fará parte da sua vida. É importante pesquisar a respeito das profissões, mercado de trabalho e dialogar com pessoas que exercem a profissão desejada.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na sua totalidade, a pesquisa representou um passo importante para estabelecer o diálogo sobre a juventude que estuda no Colégio Zardo, subsidiando ações pedagógicas voltadas para esse segmento. Por isso, a perspectiva do levantamento foi servir de ferramenta na implementação de ações direcionadas aos jovens.
As informações revelam o que os jovens gostam e o que não gostam na escola, qual a disciplina favorita, o estilo de música, o que fazem para se divertirem, pessoa de confiança, medos, angústias e problemas típicos desse grupo.
Com isso, pretender ensinar um aluno, desconhecendo o seu modo peculiar de ser, seus gostos e interesses, significa não só ser incapaz de contribuir para o seu desenvolvimento, como por vezes, pode distorcer o seu crescimento, matando o gérmen de inúmeras capacidades e qualidades que poderiam ser cultivadas.
Todo aluno tem suas características pessoais, sua história de vida, seu ambiente familiar e social, que devem ser conhecidos, respeitados e compreendidos.
Compreender o aluno, aceitando-o com suas qualidades e seus defeitos, pode ajudá-lo a vencer suas dificuldades, integrar-se ao seu grupo, crescer e amadurecer com ética, como ser humano.
Ficou evidente, com esta pesquisa, que não considerar as peculiaridades do jovem, tem um efeito negativo no ambiente escolar e, em particular, na possibilidade de protagonismo dos estudantes.
Finalmente, a equipe do Colégio Zardo almeja ser uma instituição que acolhe o aluno, oferecendo oportunidade, não só para dar respostas, mas também para que participe nas suas decisões, facilitando a identificação com a instituição educativa e organizando um espaço mais adequado para o desenvolvimento da própria identidade do jovem.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOURDIEU, P.; PASSERON, J. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 4 ed. Petrópolis: Vozes, 2011.
DAYRELL, J. A escola “faz” as juventudes? Reflexões em torno da socialização juvenil. Educ. Soc., Campinas, vol.28, n.100-Especial, p.1105-1128, out. 2007. Disponível em: http://www.cedes.unicamp.br Acesso: 16/07/2011.
DEBARBIEUX, E. Violência nas escolas: divergências sobre palavras e um desafio político. In: BLAYA, C., DEBARBIEUX, E. (org.). Violência nas escolas e políticas públicas. Unesco, Brasília, 2002.
DUBET, F. Sociologia da experiência. Instituto Piaget, Lisboa: 1994.
FANTE, C. Fenômeno bullying: como prevenir a violência e educar para paz. 2 ed. Campinas-SP: Verus editora, 2005.
GUARESCHI, P. A., SILVA, M. R. (coord). Bullying: mais sério do que se imagina. 2 ed. Porto Alegre: EDIPUCRS,2008.
LEIVA, P. M. Os jovens e a crise da escola secundária. In: Cadernos Adenauer VIII, nº2. p. 25 – 50, 2007.
SOUZA, L. K. de; HUTZ, C. S. Amizade na adultez: Fatores individuais, ambientais, situacionais e diádicos. Interação em Psicologia, v. 12, n. 1, p. 77-85, jan/jun. 2008.
TORTELLA, J. C. B. Amizade no contexto escolar. Dissertação (Mestrado em Educação). Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação, 1996.