quinta-feira, 21 de junho de 2012

REUNIÃO DE PAIS NA ESCOLA: Espaço para diálogo, pesquisa e interação

Alexandro Muhlstedt

INTRODUÇÃO

No mês de maio de 2012 ocorreu o segundo momento de reuniões de pais e responsáveis no Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, de Curitiba. Nessas reuniões, feitas no período noturno, busca-se estabelecer um vínculo aproximativo da escola com os pais permeado pelo diálogo, apresentação de problemas e busca de soluções. É um trabalho que vem ocorrendo desde 2009, sendo coordenado pela Direção da escola e implementado pela Equipe Pedagógica e Docente.A opção por reuniões no período noturno é resultado de pesquisa implementada anteriormente em que a maioria dos pais tem mais disponibilidade de participar de reuniões escolares à noite. A pauta é definida nas reuniões da Direção com Equipe Pedagógica, sendo que cada momento é fotografado e postado no blog da Pedagogia: www.pedagogiazardo.blogspot.com. Nessa etapa pesquisou-se opiniões dos pais sobre comportamentos dos alunos e solicitou-se questões da escola que geram satisfação aos pais.

1. A Equipe Pedagógica na escola e os Atendimentos

O Colégio Zardo dispõe de diversos atendimentos Pedagógicos realizado por oito pedagogos, distribuídos nos três turnos, prontos para resolver os problemas que envolvam alunos e seus pais ou responsáveis, em qualquer necessidade. Basicamente, no âmbito de atendimento, os pedagogos realizam as seguintes atividades:
  • Atendimento aos alunos e pais que procuram a Equipe Pedagógica da escola, resolvendo o que for de sua alçada e encaminhando os demais casos aos setores competentes.(Direção, Biblioteca, Secretaria, etc);
  • Atendimento aos alunos, pais e responsáveis, ouvindo suas considerações, críticas e sugestões quanto ao trabalho docente e fazendo os devidos encaminhamentos;
  • Atendimento ao aluno que não respeita as normas da escola dentro da sala de aula, sendo que o professor preenche a Ficha de Ocorrência e o mesmo é encaminhado ao setor pedagógico que faz as devidas orientações;
  • Atendimento ao aluno reincidente de problema disciplinar, sendo este acompanhado pelo aluno monitor até sala da Equipe Pedagógica que faz as orientações necessárias, em seguida a família é chamada a comparecer à escola;
  • Atendimento ao aluno que não acompanha as atividades escolares sendo que a equipe pedagógica verifica o que está ocorrendo e faz as orientações necessárias;
  • Atendimento aos alunos de inclusão realizando a mediação entre o professor e a família.
A escola conta com uma equipe coesa e ousada. Coesa, capaz de trabalhar por objetivos comuns, ou seja, conseguir com que todos os alunos estejam comprometidos com os mesmos propósitos, cumprir com as regras escolares e principalmente em aprender a aprender. Ousada no sentido de fazer diferente e melhor e assim transformar a prática, a escola, as pessoas.
Esta Equipe é responsável por implementar o calendário de reunião de pais, bem como articular o envio do comunicado, o recolhimento do protocolo deste, o levantamento dos pais presentes e ausentes e a aplicação da pesquisa.
Dessen e Polonia (2007, p. 27) descrevem a escola como um ambiente multicultural, no qual convergem atividades diversas, regras e valores, conflitos, problemas e diferenças, assim como, laços afetivos e o preparo para a inserção do indivíduo na sociedade. Consideram que tanto a família como a escola podem funcionar como propulsores ou inibidores da aprendizagem, dependendo da qualidade e funcionamento de cada uma e a interação entre ambas. Por isso, realizar o atendimento adequado a cada situação que ocorre no cotidiano escolar é contribuir para a aproximação e confiança da família na instituição.

2. A Reunião de Pais no Colégio Zardo

A reunião de pais no Colégio Zardo não é entendida como um mero evento protocolar para dar algumas satisfações aos pais, mas sim como um dos momentos para reavivar o papel social da escola. O objetivo das reuniões de pais no Colégio Zardo é compartilhar interesses e missões tendo em vista os benefícios para o aluno, pois entende-se que a relação entre a escola e os pais deve ser de parceria.
Sabe-se o quanto é importante a participação dos pais dos alunos no desempenho escolar e que a comunidade tem um papel importante na construção da autonomia da escola, porque essa ocorrerá na medida em que a escola esteja a serviço dos interesses autênticos da população.
Os pais e os alunos, como usuários da escola, são capazes de apontar problemas e dar sugestões para a resolução dos mesmos. No Colégio Zardo a participação dos pais não é encarada como sendo debilidade, último recurso quando as coisas não andam bem (mau comportamento ou notas baixas), ou como necessária apenas nos eventos festivos promovidos pela escola. A interação é uma possibilidade de enriquecimento mútuo e de ampliação do espaço democrático na escola.
Afinal, o aluno cuja família participa de forma mais direta no cotidiano escolar, apresenta um desempenho superior em relação a que os pais estão ausentes do seu processo educacional. Ao conversarem com o filho sobre o que acontece na escola, cobrarem dele e ajudarem a fazer o dever de casa, falarem para não faltar à escola, tirar boas notas e ter hábitos de leitura, os pais contribuem para a obtenção de notas mais altas. Além disso, reduz a evasão escolar e a depredação da escola.
Nessas reuniões os pais recebem orientações, esclarecem dúvidas e, assim, estabelecem uma relação de confiança e cooperação com os profissionais da escola. Também são informados das ações da escola, bem como respondem a pesquisas e questionários sobre assuntos educacionais.
Do ponto de vista social, estar presente nas reuniões também traz benefícios aos pais e, consequentemente, ao aluno, pois a troca de vivências é grande. Afinal, é importante que os pais dos alunos se conheçam e troquem experiências.

3. O mês de maio de 2012 e o segundo momento de Reunião de Pais

Entre os dias 07 a 10 de maio de 2012 ocorreu o segundo momento de Reunião de Pais no Colégio Zardo. O primeiro ocorreu em fevereiro e tinha a intenção de informar os pais sobre o ano letivo de 2012, entregar os livros didáticos e colher assinaturas para a permissão da Revista Preventiva pela Patrulha Escola Comunitária.
A Direção e Equipe Pedagógica decidiram realizar duas reuniões em cada uma das datas, no turno da noite, e uma reunião no sábado de manhã, dia 12 de maio. No caso das reuniões da noite, o primeiro grupo foi recepcionado das 19h às 20h30, e o segundo, das 20h40 às 22h.
O objetivo de dividir os pais em grupos menores foi o de atender com mais qualidade os pais cujos filhos estudam numa mesma série e turno. Assim, a interação entre os pais cujos filhos estudam juntos seriam incentivada.


Data
Grupo 1
Grupo 2
07 de maio
às 19h: 6º e 7º Anos
às 20h40: Ensino Médio Informática e Ensino Médio Tarde
08 de maio
às 19h: 8º e 9º Anos
às 20h40: 1ª Séries Manhã
09 de maio
às 19h: 2ª Séries Manhã
às 20h40: 3ª Séries Manhã e Ensino Médio Meio Ambiente
10 de maio
às 19h: Ensino Médio Noite Regular e Integrado
às 20h40: Ensino Médio Noite / Subsequente
12 de maio
das 10h30 às 12h: Pais de todas as turmas que não compareceram
Tabela 1: Cronograma da Reunião de Pais

Como pauta geral, ficaram decididos os seguintes assunto: Orientações sobre a Gincana Cultural, Parecer geral das turmas no 1º Bimestre, Pesquisa sobre comportamento dos alunos e Entrega do Boletim de notas.
A partir do dia três de maio iniciou-se o envio do comunicado da reunião de pais, por meio dos alunos. Estes foram orientados a apresentar o comunicado aos pais e solicitar a assinatura dos mesmos. Ao receber o comunicado, o aluno assinou uma lista assumindo o compromisso de entregar o protocolo no qual os pais assinaram, informando seu comparecimento. Caso os pais não pudessem comparecer, deveriam escrever o motivo da ausência. 93% dos alunos devolveram o protocolo.

4. A Pesquisa realizada junto aos Pais – Questões Fechadas

Um dos problemas mais complexos vivenciados pela escola – a indisciplina – tem se caracterizado como fonte profunda de estresse nas relações interpessoais, especificamente ao associar-se a situações de conflito no interior da sala de aula. A indisciplina gera, ainda, dificuldades para o desenvolvimento da aprendizagem. Desordens, ofensas verbais, atitudes de grosseria, enfim, aquilo que se caracteriza de forma geral, como “falta de respeito” pode ser denominado indisciplina.
Nas reuniões que ocorreram entre 07 e 12 de maio, foi aplicado aos pais um questionário sobre a questão de comportamento dos alunos. Foram duas questões, com 06 alternativas em cada uma delas, sendo respondidas por 487 pais.
Segue o resultado das respostas dos pais:

Gráfico 1: Ações para resolver problemas de mau comportamento do aluno

Gráfico 2: Ações para alunos reincidentes em problemas disciplinares

Pode-se perceber que a maioria dos pais quer ser avisada sobre os problemas que envolvem o comportamento de seus filhos em sala de aula e, ainda, espera ser cobrada a cumprir seu papel de educar em casa.
Para isso, a maioria considera que é preciso haver regras rígidas na escola para fazer cumprir os ensinamentos de boa educação e respeito ao próximo, bem como acompanhar de perto os alunos, conscientizando-os de seu papel.
Na escola, uma alternativa é realizar o diálogo sério, “olho no olho”, dando espaço para que os alunos também sejam ouvidos e levados a perceber a necessidade de serem responsáveis. É a questão de estabelecer limites, negociar a melhor maneira de alcançar os objetivos a que se propõem, perceber-se como integrantes de um grupo organizado, onde cada um tem seu espaço, seus direitos e seus deveres, e também tem a responsabilidade de respeitar os limites desse espaço para não prejudicar o espaço do outro. E é justamente por isso que a Equipe Pedagógica organiza-se num conjunto de atendimentos (descritos anteriormente) com intuito de concretizar o espaço de diálogo e conscientização.

5. A Pesquisa realizada junto aos Pais – Questão Aberta

Além das questões sobre o comportamento dos alunos, a pesquisa também quis saber sobre as ações da escola que deixam os pais satisfeitos. Sabe-se que a educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar e que a interação entre ambos é muito importante para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. É por isso que esse tipo de pesquisa é feita junto aos pais, pois a escola se interessa em fazer levantamentos precisos sobre as opiniões e posicionamentos dos pais ante a questões que envolvem a escola, a educação e os processos de ensino aprendizagem.
Os pais que participam das reuniões na escola conhecem e acompanham melhor o trabalho da escola e, além disso, supervisionam os estudos, o cumprimento de tarefas e também os progressos e dificuldades de seus filhos. Essa participação na vida escolar possibilita uma revalorização do saber e os filhos compreendem que estudar é importante. Tendo mais contato com o trabalho que a escola desenvolve, os pais compreendem melhor as dificuldades e os empecilhos que existem no processo de ensinar e aprender, tornando-se mais aptos a colaborar. E há um resultado positivo, que é indireto, que, quando demonstram confiar na escola, os pais ajudam a reconstruir a autoridade do professor, hoje um item fundamental para que a aprendizagem possa ocorrer. Pois quando os alunos não confiam e/ou não respeitam os docentes, não aprendem. Os questionários, então, são ferramentas que ajudam a ouvir as famílias, compreender os anseios e, a partir disso, tomar decisões para melhoria da escola como um todo.
A seguir, o resultado das opiniões dos 519 pais que responderam a questão sobre as ações da escola que consideram positivas. Após estudo, foi possível agrupar as respostas dos pais em sete categorias. Essas categorias são aspectos mencionados que mais se repetiram.

Regras e Disciplina
Direção e Equipe Pedagógica
Câmeras de Segurança
Reunião e Atendimento aos Pais
Ensino e Atividades Escolares
Estrutura Física
Policiamento
175
99
79
66
51
30
19

Tabela 2: Categorias das respostas dos pais


Gráfico 3: Percentual nas Categorias das respostas dos pais

Na categoria “Regras e Disciplina”, foi possível observar quatro subcategorias:


Uso do uniforme
Rigidez
Uso da carteirinha
Cobrança de horário
59
45
42
29

Tabela 3: Subcategorias na Categoria “Regras e Disciplina”



Gráfico 4: Percentual nas Subcategorias da Categoria “Regras e Disciplina”


Foram 175 menções na categoria “Regras e Disciplina”, na qual os pais manifestaram opiniões favoráveis à cobrança, controle e cumprimento das regras da escola pelos alunos. Nas subcategorias “Uso do uniforme” e “Uso da carteirinha” 59 e 42 pais respectivamente, demonstraram satisfação quando a escola cobra esses dois elementos de identificação dos alunos, bem como por ser uma forma de controle e padronização: “Uniforme para não se diferenciarem uns dos outros”, “Considero a obrigação do uso de uniforme indispensável para a disciplina escolar”, “A questão do uniforme é muito importante. Não ceder para os alunos”, “Não deixar entrar sem carteirinha”, “No geral está tudo ótimo e eu acho muito bom ter esta cobrança de carteirinha”, “A carteirinha é boa para verificar a presença dos alunos”.
A “Rigidez” da escola ao fazer cumprir as regras estabelecidas é um aspecto importante na visão de 45 pais, os quais elogiam o posicionamento da escola: “Rigidez nunca fez mal a ninguém”, “Continuar assim, as regras rígidas são necessárias”, “As regras rígidas já preparam nossos filhos para a vida profissional”, “Gosto muito das normas internas do colégio e todas devem ser cumpridas com rigidez”, “Lugar de aluno é dentro da escola e não do portão para fora, ser rígido é fundamental”, “Exigir sempre o bom comportamento e respeito por parte dos alunos”.
A “Cobrança de horário” dos alunos aparece como aspecto importante, sendo algo que obriga a agir com responsabilidade. 29 pais apontaram isso: “O cumprimento de horário está excelente, não deixando entrar depois do horário. O aluno tem de ser responsável”, “Cumprir horário é obrigação do aluno”, “Não liberar aluno fora do horário, a não ser acompanhado dos pais”.
Na categoria “Direção e Equipe Pedagógica” 99 pais mencionaram aspectos ligados à gestão da escola, aprovando questões referentes às formas de conduzir a escola: A organização e a cobrança ativa da direção é excelente”, “As pedagogas que nos atendem sempre”, “Existe ótima organização devido ao ótimo trabalho da direção e funcionários”, “É muito bom saber que existe uma diretoria que está exercendo sua função muito bem e que está fazendo a diferença”, “Tudo o que tem sido feito está perfeito. Deve continuar bem rígido”, “Todas as ações existentes estão de parabéns, pois no meu entendimento estão saindo os resultados esperados. Só tenho que elogiar todas as atitudes tomadas até hoje, pois nós estamos acompanhando a evolução em todos os aspectos”, “Quero parabenizar a Direção, pois a escola melhorou em 99% e é esse o caminho: colocar regras e cobras as regras”, “Estou muito satisfeito com a escola e quero dar meus parabéns que estão fazendo do Zardo uma Escola Exemplo. Obrigada”.
Um aspecto apontado positivamente pelos pais foi a instalação de “Câmeras de Segurança”, sendo que 79 pais elogiam essa ação: “O monitoramento dos alunos com as câmeras, que inibem os alunos a se meterem em confusão”, “E o monitoramento de câmeras resolve 90% da segurança e comportamento”, “O uso de câmeras na escola para saber o que os alunos fazem ou deixam de fazer”, “As câmeras de segurança que inibem um pouco mais as ações de violência”, “As câmeras deixam o ambiente escolar mais agradável e seguro para os alunos”, “As câmeras auxiliam não só no vandalismo, como também na segurança”.
66 pais apontam as “Reuniões de Pais” e outras ações da escola que os envolvem, aspectos importantes de satisfação: “A comunicação da escola com os familiares é muito positiva”, “O aviso a família quando há algum problema com o aluno ajuda muito, pois não sabemos como eles se comportam e precisamos saber sim”, “O desenvolvimento de palestras com os pais deixa-os cientes do que está se passando no colégio”, “Estou contente com essa comunicação entre escola e pais. Poderia fazer mais reuniões como esta”, “A atenção toda que essa parceira que vocês dão para os pais, sempre avisando quando há problemas com os filhos é muito bacana”, “É muito importante escutar os pais e alunos sobre problemas para serem resolvidos, e também os esclarecimentos que são tratados nas reuniões”, “Gosto muito quando sou informada dos acontecimentos com meu filho”, “As decisões tomadas junto com os pais, fazendo a integração escola e família, com clareza e diálogo é muito positiva”, “O que vem sendo feito é elogiável: chamar a família à responsabilidade, pois educação vem de casa. Na escola cabe o aprendizado. Vocês estão no caminho certo”.
Na categoria “Ensino e Atividades Escolares” aparecem aspectos de satisfação com atividades do dia a dia escolar. 51 pais apontam isso: “Ter jogos do segundo tempo, fazer os passeios, as gincanas, etc. é muito legal para os alunos”, “O ensino cada vez está melhorando mais”, “Estou muito satisfeito com a escola, porque tem reforço, jogos de vôlei, handebol e basquete”, “Meu filho tem um bom desempenho e a escola está sempre atenta as necessidades dele”.
30 pais apontam as melhorias na estrutura e nos espaços da escola: “A mudança do portão de entrada foi ótima”, “A Escola foi recuperada, com melhoria no ambiente e nas salas de aula”.
E uma categoria chamou a atenção, que é a satisfação de 19 pais com a presença de policiamento na escola: “Acho que é muito importante chamar a polícia nos final das aulas para não haver brigas”, “É importante ter Revista policial e Patrulha escolar atuante”.
Com essa pesquisa, constatou-se e confirmou-se que os pais esperam uma escola preocupada com o filho. Nota-se que quando a Equipe Pedagógica faz contato com a família, independente do ocorrido, a manifestação dos alunos é de agradecimento. Posterior a isso muitas vezes o aluno diz: “Você ligou para o meu pai..”, como quem diz, “...e agora tenho que melhorar”. Vale a pena ressaltar que o número de profissionais atuando na pedagogia certamente faz a diferença. E manter esse contato vivo com as famílias faz toda diferença no processo de ensino e aprendizagem.

6. A opinião dos Professores sobre a Participação da família na escola

Como forma de fomentar o debate e também para divulgar os resultados da pesquisa feita junto aos pais, os professores foram incentivados a consultar o blog da pedagogia e conferir a postagem sobre a segunda reunião de Pais. Após ler o texto e analisar os resultados da pesquisa, poderiam escrever suas opiniões e pontos de vista em forma de comentário. Também foram incitados a escrever em que medida a presença dos pais na escola, conhecendo as rotinas e suas regras, texto influencia e interfere nas aulas do professor.
Foram vários os professores que leram a postagem e publicaram comentários a respeito. A seguir, seguem algumas opiniões docentes sobre a participação da família nas reuniões escolares:

Em primeiro lugar, a quantos pais nos referimos que participam das reuniões pedagógicas? São os pais dos filhos que apresentam problemas que aparecem nas reuniões pedagógicas? As ações só terão alguma validade se forem acompanhadas pelos pais dos alunos que, recorrentemente, apresentam problemas dentro da sala de aula, seja por indisciplina ou por dificuldade de aprendizagem.
Professora Margarete / Química


A presença e participação dos pais na escola, acompanhando o desempenho dos filhos e também outras atividades relacionadas ao processo é, como sabemos, imprescindível. Historicamente essa participação, bem como outras responsabilidades, a julgar pelo modo que agem determinados alunos, deixam a desejar. Conforme levantou a Prof. Margarete e é reafirmado a cada ciclo de reuniões bimestrais que realizamos com pais, normalmente participam e ouvem nossas orientações e lamentações, os pais dos alunos ditos "bons". Em se tratando do Zardo, vejo o processo com esperança e otimismo e digo isso pensando nos últimos 20 anos vividos ali. Em nenhum dos períodos anteriores os pais foram chamados a participar com tanta insistência, regularidade e organização. E também nunca participaram tanto quanto participam atualmente. Não importa se são na maioria pais de alunos que não incomodam, pois as informações circulam e todos sabem que a oportunidade existe e, portanto, estamos fazendo nossa parte como instituição. Além do mais os casos pontuais são tratados de outras maneiras, uma vez que a equipe pedagógica está organizada, com pedagogos designados para funções específicas, uma delas convocar e atender pais. Mágica sabemos que não existe. Continuemos na luta que certamente a participação dos pais será cada vez maior. As coisas podem dar certo sim. O que vem acontecendo ultimamente, bem debaixo dos nossos olhos prova isso.
Professor Damasceno / História

A Escola está em fase mudanças de paradigmas e não pode ser o seio de alienação, reunião de pais tem como objetivo de fomentar uma maior participação da família nas atividades letivas e de compartilhar as normas da Escola para obter apoio dos pais. Tenho observado ao longo dos tempos na educação que os pais querem um espaço para manifestarem as suas falas o desejo de contribuir com a Escola no fortalecimento do compromisso dos filhos com os estudos, numa clara integração, individuo, escola, sociedade e a família que é o pilar de sustentação, entende-se aqui nos últimos tempos, a família de filhos criados pelos avós, pelas tias, pelos pais e somente pelas mães. Não há como não parafrasear Paulo Freire, quando ensina que: “o ser cidadão, é o ser político, capaz de questionar, criticar, reivindicar, participar, ser militante e engajado, contribuindo para a transformação de uma ordem social injusta e excludente.” Se traz a luz da escola pública, com seus múltiplos níveis e modalidades, que tem a premissa básica a formação de um cidadão, através da construção de conhecimentos, desenvolvimento de atitudes e instituição de valores, que unidos, possibilitem que cidadão o seja solidário, crítico, ético e participativo a reunião de pais ao meu ponto de vista se encaixa neste propósito, e o interessante é que o momento desta entrega de notas estamos valorizando também o aluno como um ser participativo, e uma família que acompanha essa caminhada, e não só uma nota em si. Na reunião de pais estamos reconstruindo esse elo que a muito foi esquecido, ou seja, reeditando o afeto, reafirmando a autoridade da escola.
Professora Claudia F. dos Santos / Gestão de Resíduos SGA e coordenadora Curso técnico em Meio Ambiente.


Sem dúvidas a influência/participação da família junto ao aluno é uma questão facilmente percebida em minhas aulas, sei certinho quem “disponibiliza” deste carinho exigente, porém com grau de preocupação de ajudar e porque não dizer “de somar”, já que ao participar da vida deste aluno, o responsável esta estimulando e desejando um futuro melhor a este adolescente ou a sua esposa. (tenho 3 alunas em que os marido são o mais incentivador na formação educacional). É percebido por mim que alunos com a presença e estimulo da família o desempenho escolar é melhor; porém na medida do possível procuro auxiliar e envolver a aluna que não tem o mesmo apoio e incentivo de seus familiares à preocupar-se com sua formação profissional, cujo o objetivo é mudar positivamente o rumo de sua vida. Trabalho em outra escola e é visível que a prática adotada aqui no Colégio Francisco Zardo, é maravilhosa - ao que refere-se a Reunião de Pais ou então chamá-los sempre que necessário; onde a equipe pedagógica não adota tal procedimento, as dificuldades são ainda maiores... Aqui no Zardo, esta prática foi adotada mesmo na época onde não dispúnhamos do mesmo número que atualmente temos de pedagogos, o caracteriza como um trabalho ardo e a longo prazo, já que a cada ano a clientela é diferente e traz realidades e problemas diferentes, porém nós professores não nos sentimos totalmente sozinhos para sanar tais problemas quando envolve o estimulo do aluno a dedicar-se aos estudos e/ou falta de respeito, mas sim, sabemos que é um trabalho conjunto – professor/aluno/família/equipe pedagógica. A preocupação de ligar, chamar, comunicar os pais sobre a importância de sua participação para nos auxiliar na educação, respeito e conhecimento de notas, etc. não ocorre somente com alunos do ensino fundamental, mas também do ensino profissionalizante, afinal mesmo sendo “adultos” a família precisa saber o que se passa com seu filho, esposa ou esposo, o que nos assegura ou pelo menos previne que o mesmo não irá evadir-se da Escola. Quanto ao texto, o resultado é o que sabemos, o que o pais desejam é uma escola preocupada com seu filho e querem saber a respeito do que acontece aqui, pois muitas vezes questionam ao filho em casa e o mesmo informa que esta tudo bem... Não é por aí, poucos nem sabem na verdade o comportamento que seu filho tem na escola e se surpreende do que veem ou do que é descrito. Na realidade o ser humano só funciona com limites e regras e disso todo mundo quer, gosta e apoia.
Professora Deisi Oliveira Carvalho / Práticas Secretariais / Cerimonial e Protocolo/ Gestão de R.H./ Empreendimento e Marketing


A indisciplina dos alunos e a falta de interesse de alguns deles é o grande empecilho para o professor em sala de aula e nos laboratórios. Realizando reuniões e informando aos pais sobre o comportamento de seus filhos a escola dá um grande passo para melhorar esta relação entre professor e aluno. Eu acredito que é através de reuniões com pais que a escola pode ter um aluno menos indisciplinado, pois ao saberem do trabalho que a escola vem desenvolvendo os pais podem cobrar mais de seus filhos.
Professor Marcos Mazetti / Informática


A presença dos pais nas reuniões escolares fortalece o elo entre escola e a família.É neste espaço e momento que se discute e se percebe a importância da família junto ao desempenho do aluno. Vivemos numa época em que a preocupação com os meios de sobrevivência , manter o conforto do lar ou mesmo garantir as necessidades básicas de uma família os pais têm uma jornada de trabalho extensa e as poucas horas livres não são dedicadas aos filhos no acompanhamento escolar.Portanto a escola proporciona esse encontro de pais para que seja não apenas uma reunião de carácter pedagógico mas um momento de livre discussão e integração de pais e filhos contribuindo para a melhoria dos mesmos não só na escola mas os laços afetivos na família. Esta semana tive um exemplo de família presente, recebi de um pai de aluno, ensino médio, um bilhete comunicando o motivo pelo qual o aluno esteve ausente e da entrega do trabalho naquele momento. Esta atitude de preocupação também mostra a participação da família.
Professora Rose Mary / Geografia


Em qualquer atividade laborativa exige-se comprometimento com o que se faz. O que se espera sempre é o bom resultado. A Instituição de Ensino comprometida, busca com afinco, maior integração entre Família e Comunidade Escolar. Percebe-se que o Colégio Francisco Zardo, não mede esforços para que essa prática seja uma constante. Prova disso, conforme calendário, teremos ainda duas reuniões previstas no ano letivo corrente, e é com esse esforço contínuo, que buscamos alcançar os resultados esperados. O diálogo entre família, educandos e professores faz-se necessário porque é condição imprescindível na prática pedagógica em busca de melhorias, de qualidade de ensino. Sabe-se que um dos maiores desafios para nós professores é tornar o Espaço Escolar cada vez mais atrativo, interessante para os educandos. Dentro dessa perspectiva vale lembrar o que Paulo Freire diz: " O professor tem o dever de dar suas aulas, de realizar sua tarefa docente. Para isso, precisa de condições favoráveis, higiênicas, espaciais, estéticas, sem as quais se move menos eficazmente no espaço pedagógico". O Colégio proporciona esse espaço, o que favorece a aprendizagem. A Família participativa, corpo docente e direção comprometidos, torna-se a prática educativa promissora e eficaz. Para se chegar a bons resultados precisamos da participação de todos. Assim os desafios serão superados e os resultados virão naturalmente.
Professor João Vianei Braga / Filosofia


Em minha opinião é de fundamental importância a participação dos pais no processo de ensino aprendizagem, pois os pais serão orientados sobre o desenvolvimento intelectual do mesmo, e se este apresentar alguma dificuldade na aprendizagem, os mesmos serão orientados de como ajudar o seu filho, quais profissionais poderão consultar. Quando os pais demonstram interesse pelo filho este se torna mais confiante em si e incentivado a estudar. Pais atuantes não estão apenas ajudando o seu filho, mas muitas vezes acabam ajudando a escola numa tomada de decisão do próprio ensino-aprendizagem. Aluno incentivado e motivado pelos pais demostra interesse pelos estudos, tira boas notas, e o professor se sente realizado e motivado. Se o aluno não tem esta motivação se torna um problema sério, pois não demonstra interesse pelos estudos tornando-se indisciplinado.
Professora Dirlene Zampieri / Química


A participação dos pais é fundamental para a melhoria da aprendizagem na escola, pois reflete na disciplina e também no desenvolvimento das atividades escolares. Percebe-se que quando pais e professores fazem uma parceria o educando melhora o seu desempenho. Nota-se que a reunião com os pais e as conversas individuais estão auxiliando a maioria dos alunos, e como pais desestruturados acabam atrapalhando o processo pedagógico, e necessitam de orientações.
Professora Andreia – Biologia


Ainda acredito numa dialética que etapas devem ser superadas. Concordo com a participação dos pais dos alunos na construção de sua educação. Este não é um discurso novo. Como também sabemos que muitos pais não participam deste propósito. A pedagogia, os professores, os pais e a escola têm conhecimento destes fatos. E constar no boletim a avaliação do convívio social do aluno na escola, juntamente com o seu grau de atenção e desempenho deve ser levado em conta para romper o distanciamento da escola com a família. Uma conversa apenas serve para amenizar no momento. Um acompanhamento em forma de nota no boletim mantém uma regularidade e adianta etapas. Como isto vai ser feito pode ser refletido, de forma dinâmica e eficiente sem medo de ser feliz. Acredito que este é o principal conflito de entendimento da escola com os pais na formação dos filhos. A escola têm que perceber o novo momento dos alunos que hoje estão inserido num mundo da comunicação e com eles têm elementos que permitem uma vantagem que muitas vezes a escola não acompanha, com procedimentos, não percebendo o novo momento. A nota nas disciplinas é muito pouco perto daquilo que o aluno deve levar da escola. E se existem valores e eles geram conflitos, nada melhor do que identificar e criar mecanismos para que os pais tenham ferramentas para perceber como os seus filhos estão percebendo o mundo do conhecimento. Indicar de forma subjetiva que um aluno está com problema é um equívoco que pode levar os pais a um engano. O convívio do professor com o aluno é grande e ele pode participar de forma mais decisiva na sua educação.
Professor Carlos Jansson / Filosofia


O problema de indisciplina dos alunos já começa em casa, onde os pais muitas vezes não tem a orientação correta para a educação de seu filho, deixando para que o mundo o eduque. O problema se agrava no ambiente acadêmico onde estes mesmos pais não acompanham o desenvolvimento de seu filho até que chegue à situação de uma reprovação. Acredito que o trabalho dos pedagogos é muito importante para que este tipo de situação não aconteça, tomando as providências necessárias o mais cedo possível. É nosso dever também como professores conversarmos com os pais e alunos explicando a importância da educação e respeito para o desenvolvimento pessoal.
Professor Diego Lopes da Cruz / Informática


Como é sabido, não há nenhuma ação pedagógica que possa traduzir em soluções definitivas a questão de pais que não acompanham seus filhos adequadamente. Porém, as ações empreendidas no Colégio Zardo têm ajudado a amenizar situações e problemas que seriam bem piores sem essas atividades para pais. É notável que na Equipe da escola ninguém cruza os braços à espera de soluções mágicas, ou se entrega ao fatalismo. Há uma busca coletiva, por meio de muito trabalho, das soluções possíveis.
As reuniões de pai são planejadas e executadas com objetivos muito claro e sempre pensando num contexto social que integre os pais, proporcionando duas reuniões a cada noite durante a semana, e uma no sábado para aqueles que não tem "tempo" durante a noite.
Observa-se que a participação da família nas reuniões está bem satisfatória, tanto quantitativamente como qualitativamente. Esta relação da escola com a família é necessária e fundamental para o bom desempenho do aluno e para escola também.
O mito de que pais de “maus alunos” não aparecem acaba sendo desmistificado, afinal, eles têm aparecido sim na escola. Às vezes demoram, mas aparecem e são notificados dos problemas. No entanto, consta-se que geralmente são famílias com inúmeros outros problemas e acabam não ajudando a resolver os problemas escolares dos filhos, dando a impressão que nada fazem.
Faz-se necessário ressaltar que a maioria dos pais dos alunos do Colégio Zardo estão acompanhando e participando da vida escolar de seus filhos..

7. Considerações Finais

Sabe-se que a educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar. A interação entre ambos é muito importante para o sucesso do processo ensino-aprendizagem. Por isso mesmo, quando aplicamos questionários aos pais queremos fazer levantamentos precisos sobre as opiniões e posições dos pais ante as questões que envolvem a escola, a educação e os processos de ensino aprendizagem.
Os pais que participam das reuniões na escola conhecem e acompanham melhor o trabalho da escola e, além disso, supervisionam os estudos, o cumprimento de tarefas e também os progressos e dificuldades de seus filhos. Essa participação na vida escolar possibilita uma revalorização do saber e os filhos compreendem que estudar é importante. Tendo mais contato com o trabalho que a escola desenvolve, os pais compreendem melhor as dificuldades e os empecilhos que existem no processo de ensinar e aprender, tornando-se mais aptos a colaborar. E há um resultado positivo, que é indireto, que, quando demonstram confiar na escola, os pais ajudam a reconstruir a autoridade do professor, hoje um item fundamental para que a aprendizagem possa ocorrer. Pois quando os alunos não confiam e/ou não respeitam os docentes, não aprendem. Os questionários, então, são ferramentas que nos ajudam a ouvir as famílias, compreender os anseios e tomar decisões para melhoria da escola.
Sabe-se o quanto é importante a participação dos pais dos alunos no desempenho escolar e que a comunidade tem um papel importante na construção da autonomia da escola, porque essa ocorrerá na medida em que a escola esteja a serviço dos interesses autênticos da população.
Os pais e os alunos, como usuários da escola, são capazes de apontar problemas e dar sugestões para a resolução dos mesmos. Em nossa escola, compreendemos que a participação dos pais não deve ser encarada como sendo debilidade, último recurso quando as coisas não andam bem (mau comportamento ou notas baixas), ou como necessária apenas nos eventos festivos promovidos pela escola.
A interação é uma possibilidade de enriquecimento mútuo e de ampliação do espaço democrático na escola. O aluno cuja família participa de forma mais direta no cotidiano escolar, apresenta um desempenho superior em relação a que os pais estão ausentes do seu processo educacional.
Ao conversarem com o filho sobre o que acontece na escola, cobrarem dele e ajudarem a fazer o dever de casa, falarem para não faltar à escola, tirar boas notas e ter hábitos de leitura, os pais contribuirão para a obtenção de notas mais altas. Além disso, reduz a evasão escolar e a depredação da escola.
Entende-se que a reunião de pais deve se focalizar na troca de informações para que a partir desse ponto possa elaborar de forma conjunta uma solução, e que não se resuma somente em períodos de fechamento de notas, mas no decorrer de todo o ano. Assim, a aplicação do questionário sobre comportamento vai nortear a tomada de decisões para melhorar os níveis comportamentais dos alunos. Entende-se ainda que a educação deve ser instituída com a participação efetiva de pais e escola. As reuniões já fazem parte da realidade do Colégio Zardo como algo harmonioso e um centro de soluções para vida escolar dos alunos.

8. Referências Bibliográficas

ARIÉS, P. A família. In: História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1978. Cap. 3.
COLÉGIO ZARDO. Projeto Político Pedagógico. Curitiba, 2012.
DESSEN, M. A.; POLONIA, A. da C. A família e a escola como contextos de desenvolvimento humano. In: Paidéia, vol.17, no.36. Ribeirão Preto. p. 21 – 32. Jan./Abr.2007.

KALOUSTIAN, S. M. (Org.). Família brasileira: a base de tudo. 3. ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unicef, 1998. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

REUNIÃO DE PAIS E RESPONSÁVEIS NA ESCOLA: Momento de interação, diálogo e busca de soluções


Alexandro Muhlstedt

Introdução

A família deve participar das reuniões escolares e sempre que possível estar presente na instituição para trocar ideias com a equipe escolar, mesmo não sendo chamada, acompanhando de perto o desenvolvimento da criança e do adolescente. Dessa maneira, também criará vínculos e perceberá que a escola precisa da colaboração da família para que o trabalho tenha resultados positivos. Resultados estes relacionados ao desenvolvimento e aprendizagem do aluno.
No Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, de Curitiba, há quatro momentos anuais, previsto no Calendário, de reuniões na escola com as famílias dos alunos: fevereiro, maio, agosto e outubro. São semanas em que acontecem as reuniões de pais e responsáveis, não como mero evento protocolar para dar algumas satisfações aos pais, mas para efetivar o diálogo com as famílias e reavivar o papel social da escola.
O objetivo principal dessas reuniões, então, é compartilhar interesses e missões, tendo em vista os benefícios para o aluno, pois a relação entre a escola e os pais é entendida como uma relação de parceria. Nesses encontros os pais recebem orientações, esclarecem dúvidas e, assim, estabelecem uma relação de confiança e cooperação com os profissionais da escola. Também são informados sobre as ações da escola, bem como respondem a pesquisas e questionários sobre assuntos educacionais.
Do ponto de vista social, estar presente nas reuniões também traz benefícios aos pais e, consequentemente, ao aluno, pois a troca de vivências é grande, sendo que acontece o esclarecimento de dúvidas e o sentimento de participação se eleva. Afinal, é importante que os pais dos alunos se conheçam e troquem experiências. Nessa questão, um problema apontado pelos pais foi o caso de comportamentos indisciplinares dos alunos. Desordens, ofensas verbais, atitudes de grosseria, enfim, aquilo que se caracteriza de forma geral, como “falta de respeito” pode ser denominado indisciplina.
Este tem sido um dos problemas mais complexos vivenciados pela escola e tem se caracterizado como uma fonte profunda de estresse nas relações interpessoais, especificamente ao associar-se a situações de conflito no interior da sala de aula. Nota-se que a indisciplina gera, ainda, dificuldades para o desenvolvimento da aprendizagem, sem contar os prejuízos na formação moral e ética dos alunos.

A Pesquisa

Tendo em vista essa problemática, e partindo do pressuposto que a resolução dos casos de indisciplina devem priorizar ações partilhadas entre escola e família, no ano de 2011, nas reuniões de pais nos meses de maio e agosto, foi feito um levantamento minucioso junto aos pais sobre suas opiniões e percepções sobre essa problemática, por meio de um questionário. Foram questões abertas nas quais os pais poderiam expressar suas opiniões e indagações sobre o comportamento geral dos alunos. Os dados foram tabulados e organizados, e apresentaram como principais respostas o seguinte:
A primeira pergunta dizia:
PERGUNTA 1
O que você considera mais importante para resolver os problemas de indisciplina, mau comportamento e falta de respeito na turma de seu filho?
RESPOSTAS 1
(Foram inúmeras as respostas apresentadas pelos pais.
Num trabalho minucioso a Equipe Pedagógica sintetizou o que mais apareceu).
Avisar os pais por telefone, convocar à escola e cobrar que acompanhem de perto seu filho.
Chamar a Polícia no final das aulas para não haver brigas.
Cobrar que a família faça o seu papel: a educação básica vem de casa.
Cortar o horário do recreio e dar aulas mais puxadas, para não ter tempo de conversar.
Oferecer serviços na escola, como limpar as mesas, cadeiras e o pátio.
Proporcionar palestras aos pais e exigir que os pais participem de uma aula na sala do filho.

A segunda pergunta feita foi:

PERGUNTA 2
Que ações poderiam ser desenvolvidas aos alunos que continuam a causar problemas (que não cumprem as regras da escola, nem as obrigações de alunos)?
RESPOSTAS 2
(Foram inúmeras as respostas apresentadas pelos pais.
Num trabalho minucioso a Equipe Pedagógica sintetizou o que mais apareceu).
Acompanhar de perto esses alunos: conversar e incentivar.
Dar advertência e se não adiantar trocar de colégio.
Encaminhar o aluno para um acompanhamento psicológico.
Estabelecer normas mais rígidas, assinada pelos pais, com obrigações a serem feitas.
Ter uma sala de aula exclusiva para esse tipo de aluno para na prejudicar os alunos de bom comportamento.
Tirar fora da sala de aula e registrar a falta.

Esse conjunto de respostas para as duas questões, tabuladas nos meses de setembro a novembro, proporcionou vários questionamentos para a Equipe Pedagógica e Professores, o que contribuiu para implementar ações no cotidiano da escola com intuito de tomar atitudes que levassem em consideração os aspectos legais e morais, e também as opiniões manifestas dos pais.
Assim, para o ano letivo de 2012 decidiu-se retornar a pergunta aos pais, porém agora em questões objetivas, com o objetivo de analisar o percentual de escolha de respostas. Com isso, a Equipe entendia que poderia priorizar determinadas ações para o enfrentamento do problema de atos de indisciplina. Para isso, nas reuniões que ocorreram entre 07 a 12 de maio de 2012, foi aplicado aos pais um questionário sobre a questão de comportamento dos alunos. Foram aplicadas as duas questões novamente, com as seis alternativas para cada uma delas. O questionário foi respondido por 487 pais.

Os Resultados

Segue o resultado das respostas dos pais:

(Gráfico 1: Ações para resolver atos de indisciplina)

Percebe-se, então, que um pouco mais da metade dos pais (51%) considera que ser avisado sobre os problemas disciplinares de seus filhos em sala de aula colabora para amenizar ou eliminar os problemas disciplinares. Interessante que 32% dos pais considera que a escola deve cobrar da família que esta cumpra o seu papel de educar em casa. Castigo, servições escolares, palestra e chamamento da Polícia aparece em percentual menor e isso justamente demonstra uma mudança de pensamento em relação aos o que fazer quando as regras não são cumpridas. Os resultados sugerem que a maioria dos pais dão importância a formas de diálogo, bem como um posicionamento mais evidenciado da escola com relação às regras ali existentes.
Nota-se que, ao somar os dois resultados, 83% dos pais considera que exigindo que as famílias acompanhem de perto seus filhos, haveria uma maior conscientização de seu papel.

Para a pergunta número 2, o percentual de respostas foi:

(Gráfico 2: Ações para aluno reincidentes em atos de indisciplina)

Nota-se que 36% dos pais considera que é preciso haver regras rígidas na escola para fazer cumprir os ensinamentos de boa educação e respeito ao próximo, havendo, no entanto, a necessidade da escola organizar espaços para atendimento específico de cada caso (18%) e ampliar os canais de diálogo e tomada de consciência sobre os problemas causados (16%). Atitudes antes tomadas pela instituição de ensino (encaminhar a tratamento psicológico, advertência e retirada da sala) é percebido como eficiente por 29% dos pais. Assim, infere-se que fazer cumprir as normas definidas, dialogando e exigindo uma postura mais adequada dos alunos, parece ser um caminho mais apropriado, que foi apontado pelos pais nessa pesquisa.

Diante dos resultados, a Equipe Pedagógica concluiu que uma alternativa viável, e que já vinha acontecendo, é realizar o diálogo sério, “olho no olho”, dando espaço para que os alunos também sejam ouvidos e levados a perceber a necessidade de serem responsáveis. É questão de se estabelecer limites, negociar a melhor maneira de alcançar os objetivos a que se propõem, fazer perceber-se como integrantes de um grupo organizado, onde cada um tem seu espaço, seus direitos e seus deveres, e também tem a responsabilidade de respeitar os limites desse espaço para não prejudicar o espaço do outro. E nesse cotidiano, o papel da família tem de ser evidenciado e a participação desta deve ser buscada a fim de atingir os objetivos da escola.
Entende-se que a reunião de pais deve ser focalizada na troca de informações para que a partir desse ponto possa elaborar de forma conjunta uma solução, e que não se resuma somente em períodos de fechamento de notas, mas no decorrer de todo o ano. Por isso que a aplicação de questionários sobre comportamento vai nortear, de certa forma, a tomada de decisões para melhorar os níveis comportamentais dos alunos. A partir desses questionários aos pais faz-se levantamentos precisos sobre as opiniões e posições dos pais ante as questões que envolvem a escola, a educação e os processos de ensino aprendizagem. Afinal, a educação deve ser instituída com a participação efetiva dos pais na escola. E os pais, de algum modo, precisam ser ouvidos. Os questionários, então, são ferramentas que nos ajudam a ouvir as famílias, compreender os anseios e tomar decisões para melhoria da escola.

Considerações Finais

As reuniões já fazem parte da realidade do Colégio Zardo como algo harmonioso e um centro de soluções para vida escolar dos alunos. Sabe-se que a educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar e a interação entre ambos é muito importante para a efetivação do processo ensino-aprendizagem. Os pais que participam das reuniões na escola conhecem e acompanham melhor o trabalho da escola e, além disso, supervisionam os estudos, o cumprimento de tarefas e também os progressos e dificuldades de seus filhos. Essa participação na vida escolar possibilita uma revalorização do saber e os filhos compreendem que estudar é importante. Tendo mais contato com o trabalho que a escola desenvolve, os pais compreendem melhor as dificuldades e os empecilhos que existem no processo de ensinar e aprender, tornando-se mais aptos a colaborar.
E há um resultado positivo, que é indireto, que, quando demonstram confiar na escola, os pais ajudam a reconstruir a autoridade do professor, hoje um item fundamental para que a aprendizagem possa ocorrer. Pois quando os alunos não confiam e/ou não respeitam os docentes, não aprendem.
No Colégio Zardo, incentiva a participação dos pais dos alunos sabendo da importância destes para o desempenho escolar, sem contar que a comunidade tem um papel importante na construção da autonomia da escola, porque essa ocorrerá na medida em que a escola esteja a serviço dos interesses autênticos da população.
Os pais são capazes de apontar problemas e dar sugestões para a resolução dos mesmos. No Colégio Zardo, compreende-se que a participação dos pais não deve ser encarada como sendo debilidade, último recurso quando as coisas não andam bem (mau comportamento ou notas baixas), ou como necessária apenas nos eventos festivos promovidos pela escola. O aluno cuja família participa de forma mais direta no cotidiano escolar, em diferentes momentos, apresenta um desempenho superior em relação aos alunos cujos pais estão ausentes do seu processo educacional.

Por fim, entendendo que a interação é uma possibilidade de enriquecimento mútuo e de ampliação do espaço democrático na escola, é que se desenvolvem processos para que os pais dos alunos que estudam no Colégio Zardo conheçam como essa escola funciona, opinem e sugiram ações. Esse diálogo, espera-se, amplie-se nas casas, pois, ao conversarem com o filho sobre o que acontece na escola, os pais também cobram dele comportamento mais adequado, ajudam a fazer o dever de casa, falam para não faltar à escola, tirar boas notas e ter hábitos de leitura. E assim, os pais estarão contribuindo para que este obtenha melhores notas e, mais que isso, motiva a frequência deste às aulas, contribui para que haja um espaço menos violento e aumenta a postura de respeito às pessoas e ao patrimônio escolar.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

REFLEXÕES SOBRE O COTIANDO ESCOLAR: Ensino, Aprendizagem e Trabalho Docente no Colégio Zardo

Em 31 de março ocorreu a primeira reunião pedagógica de 2012 dos professores e pedagogos do Colégio Estadual Francisco Zardo, de Curitiba. A discussão foi em torno de aspectos descritos no Projeto Político Pedagógico e Regimento Escolar sobre Ensino, Aprendizagem e Trabalho Docente. As atividades da reunião foram organizadas em exposição sobre os temas pela Direção e Equipe Pedagógica, seguido por trabalho em grupo no qual os professores discutiram e realizaram sínteses para serem partilhadas em plenária. O texto a seguir é resultado do que os professores elaboraram, bem como as linhas gerais de análise e avaliação dos temas discutidos.
Um dos temas abordados, no aspecto ensino, foi sobre a aplicação das tecnologias digitais, na metodologia do ensino. Constata-se que há deficiência na formação prática do professor no uso das tecnologias. A maioria dos docentes não teve nenhuma prática voltada às tecnologias durante seus estudos acadêmicos, visto que muitas das tecnologias são relativamente novas. Para preencher essa lacuna, é necessário que o professor busque essa qualificação. É possível buscar o conhecimento a respeito das tecnologias através de cursos presenciais ou a distância (inclusive ofertados por diversas instituições de maneira gratuita) e contar com a ajuda de colegas mais familiarizados com a tecnologia. Também pode haver a inclusão de aulas práticas de tecnologia durante semana pedagógica.
É importante ressaltar que apenas a habilidade no manuseio dos equipamentos tecnológicos não habilitará o professor para tal prática, mas sim um esclarecimento e delineamento do seu encaminhamento pedagógico relacionado e contextualizado. Não basta dominar a tecnologia, deve-se saber atrelar ao conteúdo que se pretende trabalhar, para que os recursos se tornem um meio de produção do conhecimento muito valioso na prática pedagógica. Nesse sentido, é de fundamental importância que a SEED se preocupe com essa questão e oferte cursos que realmente ensinem a prática de como utilizar essas novas tecnologias. Mesmo assim, o professor deve buscar métodos e formas de melhorar suas aulas utilizando recursos já disponíveis com a tecnologia digital. A experimentação e a avaliação dos resultados são fundamentais para utilizar como parâmetros. Isso servirá de base para próximas elaborações das aulas. Outra forma é a troca de experiências que devem ocorrer entre os professores, principalmente em experiências bem sucedidas.
Ainda sobre ensino, foi levantada a questão sobre a importância da elaboração do Plano de Trabalho Docente (PTD) que é um norte para as ações dos professores. Mesmo definindo esse norte, o PTD pode sofrer variações em função de acontecimentos que aparecem no decorrer do ano letivo tais como: mudança do número de alunos (para mais ou para menos), nível da turma, características das diferentes turmas (ritmo de aprendizado, por exemplo), etc.
O Plano de Trabalho Docente dará todo o embasamento para o trabalho do professor. O seu conteúdo delineará o caminho a ser seguido e facilitará todo o trabalho pedagógico, visto que permitirá o planejamento antecipado de todos os conteúdos de maneira organizada e ordenada. Também é importante para que a escola se organize no caso de uma eventual necessidade de afastamento do professor, pois assim o seu sucessor ou substituto poderá prosseguir dentro do que foi planejado. A elaboração do plano docente permite um melhor direcionamento e objetividade nas aulas, que reflete em maior interesse dos alunos que percebem a objetividade do professor.
Refletimos também sobre o aspecto aprendizagem e a prática do professor, que tem um reflexo direto no comportamento e aproveitamento do aluno (tanto em questões de aprendizagem quanto de indisciplina). Afinal, o modo como o professor trabalha terá influência, pois os alunos sabem muito bem identificar um professor que está preparado para dar o seu conteúdo e para manter a ordem em sala de aula. Os alunos testam muito os professores, principalmente no início com uma nova turma, que sempre busca saber “até onde pode ir com determinado professor”. É comum comentários dos alunos do tipo que com professor X pode-se “fazer bagunça”, já com professor Y o pessoal se comporta. Então, o que leva esses alunos a tirarem essa conclusão é o modo como o professor conduz a sua aula e a sua sala de aula. Logicamente existem turmas mais agitadas e mais difíceis de se manter a ordem do que outras, mas certamente o preparo do docente em lidar com determinadas situações influenciará muito. Observa-se também que, infelizmente estamos em um momento onde os alunos refletem na escola a sociedade do portão para fora. Falta uma adequação para conviver e lidar com as situações que estão aparecendo no dia-a-dia escolar.
Conforme elaboração do plano de aula individualizado, cabe a cada docente desenvolver o seu planejamento utilizando recursos diferenciados para que o objetivo seja concretizado. Quando não acontece em algumas “turmas”, avaliar com cuidado o problema e buscar soluções junto à equipe pedagógica e pais. O professor que planeja suas aulas fica mais motivado para ministrar suas aulas e isso reflete automaticamente no comportamento do aluno que percebe que o professor gosta do que faz e realmente está preparado para ministrar os conteúdos. Assim, é mais fácil atingir, pelo menos na maioria, a disciplina dos alunos. O professor deve planejar bem o conteúdo, saber transmitir o que planejou, a aula não pode ser monótona, pois isso leva o aluno à indisciplina. Em casos de indisciplina, o professor deve ser claro em sua postura em relação ao aluno, caso não consiga, comunicar a equipe.
Hoje o bom professor não é aquele que detém o conhecimento e busca transmitir ao aluno e sim aquele que encanta o aluno e o instiga a buscar mais informações sobre o assunto trabalhado. O professor deve sempre manter a postura de mestre, mesmo sabendo que não resolverá todos os problemas da indisciplina, mas será a referência que muitos não possuem nos seus lares.
Um desafio que se apresenta no cotidiano da escola é lidar com os alunos que não têm vontade de aprender e vêm para a escola obrigados pela instituição e / ou pelos pais. Verifica-se nos dias de hoje que o desinteresse dos alunos pelos estudos tem sido um problema sério. A maioria dos alunos vem desmotivada, não vendo claramente a função da escola e nem o quanto aquele conhecimento que está sendo passado a eles será útil no futuro. Quando analisados os motivos pelos quais existe essa falta de interesse e de vontade, podem-se elencar algumas probabilidades: a rapidez de informação nos dias de hoje, com recursos como a internet, variados canais de TV, rádio etc faz com que eles se interessem mais nos aparatos tecnológicos do que na aula propriamente dita. Temos que competir com mídias atrativas, que também podem se tornar nossas aliadas, pois com a utilização de recursos variados podemos tornar as aulas mais atrativas para despertar o interesse dos nossos alunos. Certamente não conseguiremos fazer “aulas show” a todo instante, não devemos ser utópicos, pois todos sabemos da dificuldade com relação a tempo de preparação, provas e trabalhos para corrigir e elaborar, etc. Porém com esforço poderemos planejar atividades interessantes e utilizarmos materiais e métodos diversificados com uma certa frequência.
A questão de alunos com mau comportamento envolve principalmente o relacionamento entre os pais e os filhos, sendo que a desmotivação é reflexo de questões psicológicas complexas individuais do aluno, que pode ser acentuada por uma situação ou outra escolar, porém é questão familiar. A escola pode ajudar ofertando condições boas de estudos, mas o foco do problema é uma questão familiar e clínica. Temos alunos do Ensino Médio que já dirigem, trabalham, vão a festas, já iniciaram sua vida sexual e ao entrar numa sala de aula acredita que está perdendo seu tempo.
Ante a isso, analisamos também as atribuições previstas em lei que cabem ao professor. Pode-se pensar que os docentes não conseguem cumprir todas as suas atribuições, mas o que acontece é que não conseguem cumprir todas as suas atribuições sempre. O essencial, que é passar o conhecimento, construir saberes junto aos alunos e fazer com que a toda aula algo seja acrescentado a vida de cada aluno, de alguma forma é realizado. Muitas vezes os professores se veem frustrados por não conseguirem fazer com que o aluno realmente abra a sua mente e perceba a importância do que está sendo passado a ele. Acontece de muitas vezes o aluno questionar o professor para que aquele determinado assunto seria útil em sua vida futura. Muitas vezes os professores entram em sala de aula com bastante ânimo, propondo um trabalho ou um projeto, ou tentando utilizar um recurso diferente durante a aula, e percebe-se que esse nosso ânimo não é recíproco.
Fazendo um balanço de fatores que dificultam o cumprimento das atribuições docentes pode-se citar a falta de tempo para uma elaboração satisfatória de aulas e, mais ainda do que tempo, seria mesmo o desinteresse por parte dos alunos. O docente somente consegue cumprir as suas atribuições se levar trabalho para casa, pois são muitas turmas, com número excessivo de alunos, sendo que um ano letivo é diferente do outro no planejamento das aulas, provas, trabalhos e tarefas. E as correções disso tudo toma bastante tempo.
Um outro aspecto que dificulta o docente de cumprir as suas atribuições é o número de turmas, pois deixar tudo em dia é sempre um desafio e neste ponto o professor precisa organizar muito a sua prática e sua rotina de trabalho.
Para o cumprimento das atribuições docentes no Colégio Zardo, percebe-se que a organização, a união e a comunicação adequada têm feito a diferença. Tem havido um planejamento da equipe pedagógica com tempo hábil para realizar as tarefas propostas. A equipe escolar tem oferecido subsídios suficientes para um bom cumprimento do papel docente: apoio pedagógico e material, inclusive para o uso das tecnologias digitais. A disciplina dos alunos de modo geral tem melhorado dentro e fora da sala de aula, já não se vê a correria e desorganização que era comum diariamente nos horários de entrada e saída, pelos corredores dos blocos. Com os alunos entrando de maneira ordenada fica bem mais fácil de permanecerem assim também em sala de aula.

Por fim, a instituição pode e deve estar sempre investindo para que a aprendizagem seja sempre de qualidade, pois também é responsável pelo êxito do docente, que necessita de condições favoráveis para a execução, com ferramentas adequadas para concluir o seu plano de trabalho. A aprendizagem acontece e é de qualidade com um bom desempenho dos educadores e plano de trabalho bem feito.

terça-feira, 20 de março de 2012

A ADAPTAÇÃO DE ESTUDOS: Possibilidades de ajustes didáticos em épocas de transição

Alexandro Muhlstedt

Adaptação de estudos ocorre quando um aluno transferido apresentar, no ato da matrícula, histórico escolar com modelo curricular diferente. Também vale para remanejamento de curso técnico para o curso regular.
Os estudos de adaptação curricular têm a função de auxiliar na transição de um esquema para outro.
Portanto, não devem ser entendidos como o caminho para resolver tão somente um problema administrativo de documentação escolar, mas devem ser compreendidos como recurso para que possa ser oferecido ao aluno um currículo capaz de alcançar os objetivos do respectivo nível de ensino, sempre na perspectiva do Projeto Político Pedagógico da escola.
Adaptações de estudos são feitas sob a orientação da Equipe Pedagógica e Administrativa tendo por finalidade a complementação de carga horária e/ou componentes curriculares ausentes, visando o ajustamento necessário ao novo modelo curricular.
Na análise comparativa dos modelos curriculares são considerados:
  • o cumprimento de vinte e cinco por cento (25%) da carga horária destinada a parte diversificada do currículo mínimo exigido pela legislação em vigor, correspondente a duzentas (200) horas anuais;
  • a integralização das disciplinas da base nacional comum que compõem a matriz curricular da escola ou curso para qual o aluno foi transferido / remanejado.
De acordo com os Artigos 28 e 29 da Deliberação nº 09/01, do Conselho Estadual de Educação – CEE:

Art. 28 – Adaptação de estudos é o conjunto de atividades didático-pedagógicas desenvolvidas, sem prejuízo das atividades previstas na Proposta Pedagógica da escola em que o aluno se matricular, para que este possa seguir o novo currículo.
§ 1.º - A adaptação far-se-á, pela base nacional comum.
§ 2.º - A adaptação de estudos poderá ser realizada durante os períodos letivos ou entre eles, a critério da escola.
Art. 29 – Para efetivação do processo de adaptação, o setor responsável do estabelecimento de ensino deverá comparar o currículo, especificar as adaptações a que o aluno estará sujeito, elaborar um plano próprio, flexível e adequado a cada caso e, ao final do processo, elaborar a ata de resultados e registrá-los no Histórico Escolar do aluno e no Relatório Final encaminhado à SEED.

Já no Parecer N.º 124/07 do CEE explica que:

Alunos transferidos de determinados estabelecimentos de ensino podem encontrar disposições curriculares diferentes das Escolas de origem, sendo indispensável a adaptação, seja para ter continuidade de estudos de conteúdos já iniciados na origem ou até mesmo para suprir a ausência
da oferta de determinadas disciplinas, entre elas a de Língua Estrangeira Moderna que podem ter previsão de organização curricular diferente na escola de destino.
O que não pode restar dúvida para a escola de destino, a qual emitirá a certificação de conclusão de seu aluno, é que o currículo do curso deve ser integralizado pelo aluno, isto é, que o Histórico Escolar expresse a formação do ensino e em que esteja em conformidade com o estabelecido na LDB e demais normas que integrem o Sistema.
Ao receber o aluno, a Escola, representada pela sua direção, é co-responsável pela formação daquele, devendo oferecer-lhe condições de continuidade de estudos. Assim, a equipe pedagógica deverá fazer o cotejo entre o Histórico Escolar da escola de origem apresentado pelo aluno frente a sua Proposta Pedagógica, possibilitando-lhe formas de adaptação de estudos visando a integralização curricular, sem o que a vida escolar do aluno estará em franca irregularidade frente às normas do Sistema.

Como é sabido, o Projeto Político Pedagógico e o Regimento Escolar são os documentos magnos da instituição de ensino e neles encontram-se os encaminhamentos sobre quais as formas de aproveitamento de estudos são adotadas e como serão desenvolvidas.
No Regimento Escolar do Colégio Zardo consta a questão da Adaptação nos Artigos 138 a 141.
Da Adaptação
Art. – 138 A adaptação de estudos de disciplinas é atividade didático-pedagógica desenvolvida sem prejuízo das atividades previstas na Proposta Pedagógica Curricular, para que o aluno possa seguir o novo currículo.
Art. – 139 A adaptação de estudos far-se-á pela Base Nacional Comum.
Parágrafo Único – Na conclusão do curso, o aluno deverá ter cursado, pelo menos, uma Língua Estrangeira Moderna.
Art. – 140 A adaptação de estudos será realizada durante o período letivo.
Art. – 141 A efetivação do processo de adaptação será de responsabilidade da equipe pedagógica e docente, que deve especificar as adaptações a que o aluno está sujeito, elaborando um plano próprio, flexível e adequado ao aluno.
Parágrafo Único – Ao final do processo de adaptação, será elaborada Ata de resultados, os quais serão registrados no Histórico Escolar do aluno e no Relatório Final.

Desse modo, destacamos os procedimentos da Equipe Pedagógica e Administrativa sobre o assunto:
1. No ato da matrícula, ou rematrícula, a secretaria confere a necessidade de adaptação ou não, de acordo com análise da matriz curricular.
2. A secretaria apresenta a lista para a Equipe Pedagógica.
3. Os alunos devem procurar a Equipe Pedagógica a fim de serem informados sobre as atividades de Plano Especial de Estudos para cumprir as atividades de adaptação. Será feito o registro na Ficha do aluno e em Ata.
4. Os alunos receberão o informe da Equipe Pedagógica.
5. Os alunos apresentarão o informe pedagógico aos professores, no qual há a indicação do ano e bimestre que necessitam ser avaliados.
6. O professor deve constar no Informe quais atividades e avaliações o aluno deverá realizar, de acordo com o Plano de Trabalho Docente da série / bimestre que o aluno deverá cumprir.
7. Essas avaliações deverão ter como instrumento uma prova (valor 6,0) e um trabalho (4,0) que totalizam 10,0 pontos.
8. O professor entrega aos alunos ou encaminha que o mesmo retire na sala do xérox.
9. Após correção realizada, os professores deverão lançar, bimestralmente, as notas no livro de Registro de Classe (a partir da página 31) e na folha do informe pedagógico.
10. Anexar os trabalhos corrigidos junto ao informe pedagógico, para arquivamento no setor pedagógico.
11. No Conselho de Classe, o professor deverá apresentar cópia do canhoto com a média obtida pelo aluno de adaptação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COLÉGIO ZARDO. Regimento Escola. Curitiba: 2007.
PARANÁ. Deliberação nº 09/01, do Conselho Estadual de Educação – CEE. Delibera sobre Matrícula de ingresso, por transferência e em regime de progressão parcial; o aproveitamento de estudos; a classificação e a reclassificação; as adaptações; a revalidação e equivalência de estudos feitos no exterior e regularização de vida escolar em estabelecimentos que ofertem Ensino Fundamental e Médio nas suas diferentes modalidades. Aprovada em 01/10/2001.

______. Parecer N.º 124/07 do Conselho Estadual de Educação - CEE sobre Consulta sobre adaptação curricular da disciplina de Língua Estrangeira Moderna no Ensino Médio. Aprovado em 28/03/07.