terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A DIVERSIDADE EDUCACIONAL NO COTIDIANO DA ESCOLA: Refletindo sobre Quilombolas e Indígenas



Alexandro Muhlstedt
INTRODUÇÃO

O presente documento é resultado de estudos empreendidos por um grupo de professores do Colégio Estadual professor Francisco Zardo, de Curitiba, por meio de Grupo de Estudos semi presencial, ofertado pela Secretaria de Estado da Educação (SEED), por meio do Departamento da Diversidade, sobre a temática de Quilombolas e Indígenas.
O grande desafio da escola hoje é contribuir para formação de cidadãos críticos, conscientes e atuantes. Trata-se de uma tarefa complexa que exige dos profissionais que nela atuam um movimento que ultrapasse temas, conteúdos e programas. Nessa realização, torna-se possível perceber o verdadeiro sentido da palavra cidadania. Compreender os aspectos que envolvem a temática da Diversidade é fundamental para efetivar um projeto de real compromisso com aqueles que necessitam da escola para suas vidas.

1. Justificativa:

A temática que envolve a Diversidade é uma questão de lei. Devem ser incluídos nos conteúdos escolares por exigência da lei. No Colégio Zardo se desconhece aluno indígena, mas negros, há vários. No entanto, em se tratando de ser humano, é inegável que diferentes culturas devem ser conhecidas e respeitadas. Há também presença de alunos de origem rural, cujas famílias (por questões econômicas), optaram por seguir a vida urbana.
Como paranaenses, compreendemos que se deve conhecer e articular os temas da diversidade porque todos fazem parte da constituição do nosso povo.
São múltiplos os motivos para se trabalhar com as questões que envolvem indígenas e quilombolas em nossas aulas. Além da obrigatoriedade da Lei é imprescindível conhecer possibilitar aos alunos gostarem de sua história, caso contrário, negamos o direito de conhecerem os povos que contribuíram com ela. Até porque, o desconhecimento acaba reforçando preconceitos e o reforço de ideias, ideologicamente implantadas, para se negar a existência dos negros, por exemplo, na região de Curitiba.
Compreende-se, então, que o motivo maior de se trabalhar com a temática Quilombolas e Indígenas na escola é para conhecer a cultura do outro, valorizá-la, respeitar a diversidade acerca da interculturalidade, do atendimento e entendimento da diferença.

2. Objetivos

- Conhecer questões da Diversidade na escola.
- Manter Fórum permanente de discussão e troca de informações no blog do grupo de estudos.
- Fomentar a temática nas semanas e reuniões pedagógicas.
- Realizar o estudo dos temas (conteúdos) da Diversidade presentes na Proposta Pedagógica Curricular.
- Desenvolver atividades com os alunos que envolvam o conhecimento e o respeito à Diversidade.
- Organizar práticas escolares que levem em consideração a Diversidade existente nas salas de aula.

3. Conteúdos:

Os assuntos, ou conteúdos, estão presentes na Proposta Pedagógica Curricular do Colégio Zardo.
Em 2011 foi realizado um conjunto de atividades com o intuito de definir os conteúdos de cada uma das legislações solicitadas nas diferentes disciplinas do currículo escolar. Dentre elas, foram incluídas as questões de africanidades e indígenas.
Os assuntos ou temáticas fazem parte de muitos conteúdos específicos de algumas disciplinas. E aqui, duas podem ser citadas: História e Sociologia. Cada uma, com sua especificidade, têm como obrigação oferecer esse conhecimento. Inclusive para desmistificar muitas “verdades” implantadas pelos colonizadores e reforçadas pelas mídias e governantes paranaenses. Por exemplo: Formação do povo brasileiro; a visão e imposição do processo de embranquecimento do povo brasileiro; as teorias pseudocientíficas que criaram as ideologias raciais e como isso se mantêm ainda presente na mentalidade da população. A discussão das cotas sociais e raciais em universidades e concursos; as políticas públicas para cada segmento social; os determinismos biológicos e culturais.
Já o ensino de Línguas, especialmente das estrangeiras, não pode deixar de lado a abordagem intercultural, uma vez que se caracteriza pela presença do diferente. Ensinar outras línguas é demonstrar outras culturas, sendo que não há necessidade, nem se deve, se ater apenas a cultura dos locais de origem da língua estrangeira ensinada. O ensino de línguas abre a possibilidade de abordar os mais variados assuntos, sendo a diversidade e a pluralidade de culturas, assunto constante nas aulas de língua estrangeira. No livro didático de língua Inglesa do ensino médio, fornecido esse ano pela primeira vez pelo governo, pode-se contar com unidades temáticas abordando a diversidade, inclusive nas esferas indígenas e de africanidades.
Conforme especificamos na proposta pedagógica do ensino de Língua Estrangeira no Colégio Zardo, o assunto da Lei 11.645/08 sobre História e Cultura Afro Brasileira e Indígena, pode ser trabalhado tentando fazer uma correlação com a história da luta de Martin Luther King nos Estados Unidos (inclusive pode-se utilizar o famoso discurso que é disponível em áudio) com os ícones da luta na História do Brasil no que se refere aos direitos dos negros (Abdias Nascimento, por exemplo). Quanto a cultura indígenas também pode-se fazer correlação da cultura indígena brasileira e dos índios da América do Norte, utilizando a história da colonização brasileira e americana que inclusive é retratada em muitos filmes. Exemplos possíveis para serem trabalhados: retratar o Índio no Brasil – Caramuru e Brava Gente Brasileira; e nos EUA Um Novo Mundo – A New World (a história de amor entre a índia Pocahontas e o capitão inglês John Smith são o pano de fundo para este belo filme sobre a chegada dos colonizadores britânicos na América, ainda inexplorada, em 1607, e o choque cultural que têm com a civilização indígena), tido como o melhor filme já feito sobre o tema).
Assuntos como: reconhecimento e valorização da sociodiversidade, os direitos culturais e as transformações da prática pedagógica, diversidade sociocultural indígena e quilombola que são amparados legalmente.
Vale ressaltar que os conteúdos a serem trabalhador devem incluir os diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

4. Metodologia e estratégias:

Cabe a cada professor incluir e desenvolver os temas de acordo com a sua dinâmica de trabalho. Sugere-se, por exemplo, a visitação ao Museu Paranaense, conhecendo e explorando a exposição sobre questão negra e indígena. Para isso, basta enviar e-mail ou fazer ligação solicitando visita guiada. Acredita-se que será um momento para visualizar melhor os temas e assim aplicar melhor os conteúdos.
Outra sugestão é termos no blog da pedagogia um espaço para divulgar ações dos temas da diversidade. Assim, pode ser publicado material dos alunos (fotos, textos, vídeos), além de avaliar os conhecimentos dos mesmos por meio de seus comentários.
Algumas ações possíveis: pesquisas de campo onde os alunos analisam a compreensão e os motivos da população pensar de determinada maneira (isso porque devemos dar o suporte teórico das análises históricas, filosóficas e sociológicas); trazer trechos de filmes que possuem diversas interpretações sobre o papel dos indígenas e negros em nossa história brasileira e na medida do possível, na história paranaense.
Durante o ano letivo podem acontecer diversas práticas que possam desenvolver os temas, desde que partam dos fundamentos legais para a atual realidade.
Nas semanas pedagógicas de fevereiro e julho, o grupo desenvolverá apresentação sobre as questões da Diversidade. Nas reuniões pedagógicas On Line, haverá um tema relacionado à Diversidade para estudos pelos professores. Para o cotidiano da escola, prever no Plano de Trabalho Docente os conteúdos da Diversidade. Organizar a presença do tema Diversidade em texto no Projeto Político-Pedagógico.

5. Avaliação

Com a implementação das temáticas e metodologias apontadas aqui, pode-se verificar a comprometimento dos alunos e, a partir das análises e conclusões das discussões, o avanço na compreensão dos processos históricos e ideológicos sobre os indígenas e negros em nossa sociedade.
O professor pode verificar a participação e o envolvimento dos alunos nos estudos dos temas através de pesquisas com pessoas mais velhas, parentes, workshop, enfim, provocando reflexões e propiciando visibilidade a diversidade cultural.
Verificação da participação e envolvimento do estudante nos estudos dos temas por meio de instrumentos de avaliação: relatórios, textos, imagens, produção de material, elaboração de vídeos, cartazes e livros. Pode-se também analisar comentários em blog sobre o assunto.

6. Recursos

Uso das tecnologias da informação (computador com Internet) para realizar os estudos no blog, postagens e comentários.
Datashow para apresentação da proposta aos professores.
Texto impresso com os conteúdos previstos, bem como a versão digital a ser entregue no pen drive.

7. Articulação do grupo

O grupo de professores organizou a criação de um blog na Internet (www.grupodeestudoszardo) no qual foram sendo postados os materiais enviados pelo Núcleo Regional de Educação de Curitiba (NREC), bem como outros textos, vídeos e imagens sugeridos pelo grupo sobre a temática da Diversidade. Tornou-se o espaço, além do correio eletrônico, no qual o grupo manteve a comunicação e a socialização das informações.
Num primeiro momento, foi estudado o texto “O que fazer pedagogicamente com a diversidade na sala de aula”. No blog, cada componente do grupo expressou sua visão a respeito do tema, tentando responder os questionamentos apresentados. Nessa tarefa, foi possível expressar as visões acerca das questões que tratam da Diversidade, sendo que conhecer um pouco mais sobre essa temática motivou compreendê-la melhor no cotidiano da escola.
No Blog, o grupo expressões opiniões sobre alguns aspectos da Diversidade e sua abordagem na escola. A seguir, algumas contribuições socializadas pelos participantes:

Acredito que na escola (sendo um microcosmo da sociedade) há todo o tipo de discriminação. Dentre as citadas, tenho percebido que a homofobia está mais presente nos ambientes de sala de aula. Alguns alunos gays têm vindo falar pra mim, que estão sendo vítimas de outros que muitas vezem fazem piadinhas de mau gosto ou algum comentário ofensivo. Só que nunca presencio o fato, sempre o aluno vem me contar, depois que o fato já passou, e assim fica mais difícil retomar(digamos assim) o assunto e orientá-los no sentido de discutir sobre direitos, deveres e obrigações de cada um (sejam homossexuais ou héteros).
Para contribuir positivamente, o professor também não pode ter nenhum preconceito. E isso é muito difícil porque somos fruto de uma sociedade (ainda) machista, racista, homofóbica, etc. O melhor combate para se livrar de todo tipo de preconceito ainda é a educação e a informação. O desconhecimento e o desconhecido causam muito medo e mal estar. Por isso a tendência é não aceitar o que não se conhece. O preconceito nasce de um conceito pré- concebido, pré- estabelecido. Quem não tem filhos negros, gays ou nunca sofreu discriminação não conhece o assunto efetivamente, só tem uma vaga ideia. Na minha (modesta) opinião, e o que sempre digo em sala de aula é: ponha-se no lugar do outro.
E se fosse com você? E se você sofresse todos os dias com as dificuldades que uma pessoa, vítima de preconceito, discriminação, sofre e precisa superar, você gostaria? Como se sentiria? Como reagiria? A intolerância aos costumes, à cor da pele, às opiniões contrárias são o estopim para que se inicie um processo de discriminação.
Para lidar legalmente com as situações, novamente cito a informação. Quem está bem informado, com conhecimento sobre leis, direitos e deveres terá maiores subsídios para orientar os alunos combatendo a discriminação e convivendo na diversidade. Se bem que deixo bem claro aqui que livrar-se de preconceito não se faz por decreto, mas com educação para o afeto.
Pedagogicamente trabalhamos sim com valores condizentes com trato positivo para a diversidade, ou pelo menos tentamos trabalhar, pois muitas vezes nós mesmos temos dificuldade em aceitar um aluno que nos falte com o respeito ou que tenha mais dificuldade em assimilar o conteúdo, que não aprenda a matéria facilmente da mesma maneira que outros, são muitos alunos em sala de aula pra lidar com tanta diversidade (Ufa!).
Cabe a cada um de nós nos conhecermos melhor a nós mesmos, tentarmos superar nossas dificuldades e preconceitos que estejam lá no fundo, e que às vezes não nos damos conta de que temos, para então não fazer da diversidade um problema, mas uma solução.
Marilise - Artes

Sendo a escola um espaço de intensas e múltiplas relações e interações, inevitavelmente nos deparamos com uma gama de diversidade que nos força a tomar atitudes para cada caso que envolvem preconceito e discriminação. Ocorre que os profissionais necessitam de atitudes que visem à formação de cidadãos com valores, de forma a respeitarem as pessoas e suas diferenças.
A escola assim, acaba assumindo a função de educar desenvolvendo valores que considera mais adequados. É muito comum, em minha rotina como pedagogo e diretor auxiliar, deparar-me com situações que envolvem preconceito, discriminação, e formas delicadas de xingamentos, ameaças por variados motivos. Assim, sempre que analisado cada problema, observa-se a presença da intolerância e desrespeito do diferente.
Concordando com a professora Marilise, observo que, quanto mais o educador conhece da questao de diversidade, melhor é sua atuação para lidar com a heterogeidade em sala de aula.
Um exemplo simples de nossa rotina é a reação quando se tem de realizar um Plano Especial de Estudos. Muitos professores se empenham, se envolvem e querem saber sobre o aluno. Outros, ao contrário, fazem pouco caso e ainda deturpam as razões pelas quais o Plano de Estudos está sendo feito.
Realmente, temos muito a avançar nas questões que se referem ao trato com a Diversidade (por tarte do professor, primeiro), para nos tornarmos uma escola realmente inclusiva (formando alunos aptos a respeitar o diferente). Um dos passos é este que estamos dando: estudar, aprender e trabalhar juntos.
Uma das questões propostas a partir do texto é pensar formas de intervenção na escola para lidar melhor com a Diversidade.Para mim, é necessário duas frentes de atuação:
A primeira é a formação dos profissionais. Afinal, já que somos considerados racionais, atribuímos a nossa personalidade um tom de verdade. E quando vislumbramos o outro como diferente ao nosso comportamento, criamos obstáculos e discriminamos este ser, achando que ele se torna uma ameaça a nossa integridade. Assim, é necessário desconstruir algumas "verdades" ou "crenças" por meio de estudos, debates e leituras.
A segunda, diz respeito a uma "escolarização" dos conhecimentos elaborados sobre a Diversidade. Isso quer dizer que, em posse de uma formação e um conhecimento claro sobre diversidade, estabelecer atividades para o dia a dia da escola a fim de haver mais respeito e tolerância.
É necessário, então, reconhecer a diversidade étnica, racial e cultural da sociedade brasileira e identificar, respeitar, criticar e repudiar todas as formas de relações preconceituosas, discriminatórias e excludentes.
Como atividades é interessante que na sala de aula ocorram discussões, debates e produção de textos a partir da projeção de vídeos; seminários e apresentações de pesquisas e produções em sala de aula; trabalhos com letras de música que retratam questões relativas a preconceito e discriminação; trabalhos utilizando diferentes linguagens visuais, como vídeo, fotografia, iconografia; e confecção de cartazes, desenhos, charges, e histórias em quadrinhos, por exemplo.
Pedagogo Alex

Realmente é importante que nós como educadores estudemos para termos condições de dar a devida atenção ao assunto da diversidade. Infelizmente dentro do cotidiano escolar existem todas as formas de preconceito, seja de cunho racial, sexual, social e até religioso.
Não sei se concordam comigo, mas acho que hoje em dia o preconceito e até o bullying no que se refere a esses preconceitos diminuiu um pouco. Talvez seja pelo fato de eu estar trabalhando praticamente só com turmas de ensino médio, não vejo e não sei (no momento) de situações constrangedoras envolvendo preconceito. Imagino que na idade dos alunos de ensino fundamental, eles tendem a ser mais "cruéis" e têm menos esclarecimento e discernimento sobre o respeito com a diversidade. Alguns anos atrás, por exemplo, os alunos homossexuais, ou até aqueles que estavam passando por crises sem saber definir a sua preferência, ficavam mais isolados e no caso de meninos, acabavam andando só com as meninas por serem discriminados pelos meninos. Hoje eu vejo que esses alunos têm mais amigos, tanto meninos quanto meninas.
Não sei se essa é somente uma impressão equivocada ou se também percebem isso. Porem ainda estamos longe de uma sociedade livre de preconceitos e que respeita as diferenças, portanto temos muito a aprender e aprimorar a nossa prática para que ela seja voltada a uma educação que transmita esses valores aos nossos alunos.
Carmen Cinthia B Sekitani -  Inglês

Imaginar todos os habitantes do planeta iguais não teria graça. Afinal, como lidar com tanta diversidade seja de diferentes culturas e etnias no cotidiano escolar? Este questionamento me faz reportar a uma situação vivida recentemente dentro da sala de aula, quando um aluno discrimina o colega por ser descendente de nordestino e na presença do professor do qual não aproveita a oportunidade para (questionar/refletir/estudar/dialogar) que as diferenças fossem respeitadas.
Com base na leitura do texto e na situação vivenciada, para mim o foco é na formação dos profissionais (começando por mim)provocando muitas leituras para melhor lidar com a diversidade no dia a dia da escola. As pontuações do Alex são muito pertinentes e as sugestões de atividades eu acrescentaria um juri simulado sobre o tema. O bacana é termos profissionais engajados em aprimorar seus conhecimentos e assim contribuir por uma educação de qualidade.
Precisamos promover o direito do cidadão, pois no art. 2º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, diz que não deve haver, em nenhum momento,discriminação por cor, raça, gênero,idioma, nacionalidade, opinião ou qualquer outro motivo.
Pedagoga Marcia

Na verdade, preconceito existe, não só na escola mas em qualquer lugar. O que acontece é que muitas vezes ele fica mascarado, atrás de uma piada ou algum comentário discriminatório sobre racismo ou homofobia. As vezes, sem perceber, nós mesmos cometemos algum tipo de preconceito. Cabe ao professor tentar coibir este tipo de atitude, levando ao conhecimento da equipe pedagógica ou direção para que possam tomar as devidas providências.
O professor é um espelho para os alunos, o que ele faz pode refletir positiva ou negativamente nas atitudes deles. Por isso qualquer comentário ou piada deve ser bem pensada antes de fazer, pois pode incentivar o preconceito.
Os professores não recebem treinamento ou orientações para lidar com determinadas situações, muitas vezes não sabendo o que fazer ou que atitudes tomar legalmente, sem se prejudicar.
Não há como negar falta de conhecimento sobre as formas de preconceitos existentes em nossa sociedade, vemos todo dia nas mídias casos sobre o assunto, cada dia se discute mais formas de acabar com o racismo, homofobia, etc. As escolas deram um grande passo entrando nessa discussão respeitando as diversidades que há entre os indivíduos.
Trabalhar em cima do assunto é uma forma de superar o problema, através de discussões e palestras para os alunos e professores. Cabe a cada um de nós fazer a nossa parte no sentido de não incentivar as atitudes que possam gerar desconforto para as pessoas.
Marcos Mazetti - Informática

A sociedade vive uma constante evolução, porém nem sempre este crescimento vem de forma justa para todos, como professora vejo que precisamos desenvolver ações práticas para combater todas as formas de preconceito e discriminação que podem gerar violência a todas as pessoas.
Como exemplo, posso citar o período da primavera, onde a diversidade de flores com seus perfumes trazem a alegria de dias ensolarados e belos. Somos como estas flores, cada um com seu estilo, perfume, cores e designer, sem esta diversidade não existiria primavera.
Assim deveríamos ser para com todos, amar o próximo simplesmente pela sua diferença e pelo que podemos receber dele.
Como educadora muitas vezes, sinto despreparada para agir em certas situações, falta-me conhecimentos e argumentos para conduzir de forma pacífica a situação, porém tenho como objetivo buscar ferramentas práticas para a melhor solução.
Vejo a escola de hoje muito mais preparada e renovada para ajudar nossos alunos. Quando a diretoria, coordenação pedagógica, administradores e educador trabalham em equipe tendo como objetivo melhor qualidade em sala, poderemos sim ter uma escola da igualdade e amor ao próximo. Devemos semear conhecimento mas sem o amor não valerá em nada todo nosso esforço.
Amei esta frase, por isto estou colocando em destaque. "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.” (Nelson Mandela)
Mariane – Geografia

Após ler o texto em questão e as contribuições aqui postadas, faço minhas considerações.
Muitas formas de racismo, homofobia ou machismo encontradas em nossa escola estão camufladas nas frases e piadas do nosso dia a dia. Quantas vezes recebemos ou fazemos comentários sobre a aparência de alguém, os trejeitos e até mesmo as características de nossos alunos ou de colegas de trabalho. Isso demonstra o quanto está enraizado em nós atitudes preconceituosas e que não damos conta que as temos. Portanto, em alguns momentos nosso tm de voz ou a maneira como fazemos os comentários é de pura maldade e preconceito.
Uma outra questão é que a expressão "raça" está presente em nossas falas e escritos que não percebemos que é mais uma forma de discriminarmos. Diferença de raça entre os humanos não existe pois pertencemos a um mesmo grupo: os seres humanos. A classificação e a diferenciação de raças foram criadas em momento específicos da história humana com o objetivo de separar os grupos e assim poder explorar os que não estavam na mesma "evolução". Assim, quando usamos "diferenças de raças ou étnicas" estamos confundindo os conceitos e perpetuando a concepção de que alguns grupos são melhores do que outros. E essa classificação acaba sendo reforçada pela cor da pele.
O correto seria abolismo a expressão raça, afinal ela aponta a discriminação por si só, no gênero humano. Em relação ao machismo também precisamos estudar sua fundamentação histórica e desmitificarmos que "sempre foi assim". A homofobia é algo que temos a possibilidade de discutirmos nos últimos anos e na escola é mais recente ainda. Tanto o machismo como a homofobia são faces da mesma moeda pois afrontam poderes estabelecidos diante do ser feminino e dos que são homossexuais. Poderes estes reforçados pela questão religiosa cristã católica herdada dos colonizadores.
Nós profissionais da educação não recebemos, ao longo de nossa formação acadêmica, informações sobre racismo, homofobia ou machismo. Entramos em sala de aula com a cara e a coragem e muitas vezes buscamos, sozinhos, dados e informações que nos auxiliem.
Eu mesma fui procurar estudar mais quando um professor de filosofia da UTFPR, fundador do movimento negro em Curitiba, nos deu um texto sobre o Iluminismo que levantava algumas questões sobre as contradições desse movimento importante em termos históricos. Pude perceber que as contradições não são ensinadas ou apresentadas a nós enquanto alunos do ensino médio ou da graduação. Só nos ensinam o lado bom, como se todos os iluministas não tivessem posições políticas opostas. A partir daí fui procurar livros que mostrassem várias vertentes sobre a questão racial a partir da biologia, medicina, filosofia, craniometria, dentre outras explicações.
E como plano de ação, acabei preparando algumas transparências para as aulas de Sociologia no tocante aos conteúdos específicos da disciplina. É muito bom poder oferecer aos nossos alunos essas explicações históricas e pseudocientíficas e ouvi-los nas discussões.
E não é só nas questões raciais, machistas ou homofóbicas mas quando discutimos a formação do povo brasileiro a partir das matrizes africanas, indígenas e europeias.
Um outro caminho é a utilização da literatura brasileira que está tão impregnada de ideologias contrárias à diversidade racial e de gênero.
Espero não estar fugindo das análises propostas para esse fórum.
Salvina - Sociologia

Algumas situações mencionadas não tenho conhecimento de que tenha ou esteja ocorrendo em nossa escola, no entanto muitos colegas fazem comentários e eu também referente a mudança de comportamento quando há, tentando solucionar as questões sempre de forma positiva, não tenho preconceito quanto a raça de ninguém só não aceito atitudes que possam prejudicar o outro ou a mim mesma, procuro sempre que possível conhecer um pouco da historia dos alunos, quem sou eu para ficar julgando o gosto das pessoas, acredito que nenhum professor tem intenção de prejudicar a moralmente ou sentimentalmente qualquer que seja o seu aluno,a não ser que goste de passar por situação semelhante.Algumas situações de diversidade podem trazer dificuldades por ser desconhecida no nosso cotidiano, mas nos adaptamos e temos o apoio de todo corpo docente, procuramos trabalhar e tratar com respeito nossos alunos, existem fontes de pesquisas conforme sugere o texto para várias formas de diversidades como IBGE, FIPE, UNESCO, as secretárias de saúde e da educação entre outras.Sim, pedagogicamente trabalhos na construção coletiva para o desenvolvimento dos saberes, conhecimento de valores e solidariedade em todo âmbito escolar em muitos casos também no familiar.Vamos juntos no decorrer deste trabalho em grupo criar novas formas de superação para os atuais desafios em nossa escola tendo a consciência que o direito de saber é de todos, independente de raça, cor, religião, sexualidade, entre outros, todos somos cidadãos e temos o livre arbítrio de escolhas, mas sempre respeitando o próximo, vivemos em uma democracia. E quanto mais conhecimento tivermos e passarmos para nossos alunos, melhor. Por isso é importante também trabalhar assuntos do cotiano mesmo que não seja a nossa realidade, pois conhecendo as diferenças e que aprenderemos a respeitá-las, independente da disciplina é possível encaixar temas pertinentes a formação do cidadão para uma sociedade justa.
Ana Lucia - Arte

8. Considerações finais

Com o desenvolvimento dessas atividades, o processo de reflexão sobre a temática foi tomando forma. E para completar os estudos que foram sendo realizados, foi publicado no blog dois documentos (Cadernos temáticos) encaminhados pelo NRE: Educação Escolar Quilombola: Pilões, Peneiras e Conhecimento Escolar e Educação Escolar Indígena. O grupo debruçou-se sobre os documentos e novamente publicou no blog as interpretações da temática. Deteve-se em abordar as necessidades e importância de se trabalhar tais temas com os alunos, quais seriam esses temas, quais as ações e quais meios avaliativos.
Assim, o grupo constituiu uma espécie de análise e diagnóstico da situação da escola frente aos conceitos e informações apresentadas nos textos de apoio.
Estudar os aspectos que envolvem a Diversidade, além da compreensão crítica de aceitação, é também fazer jus à legislação brasileira que garante indistintamente a todos o direito à escola, em qualquer nível de ensino.
Há de se considerar que, socializar o conhecimento, deve ser tarefa primordial da escola, mas é também de atuar na transformação dos saberes e é pela soma de esforços que promove o pleno desenvolvimento do indivíduo como cidadão.
O currículo, enquanto instrumento da cidadania democrática, deve contemplar conteúdos e estratégias de aprendizagens que capacitem o ser humano para a realização de atividades nos três domínios da ação humana: a vida em sociedade, a atividade produtiva e a experiência subjetiva.
Para melhorar faz-se necessário desfazer o caráter excludente, ainda presente na escola, e do currículo tradicional, que reproduzem as desigualdades sociais ao trabalhar com padrões culturais distantes das realidades dos alunos.


9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BRANDÃO, C. R. A Educação como cultura. Campinas: Mercado das Letras, 2002.
COLÉGIO ZARDO. Proposta Pedagógica Curricular. Curitiba, 2011.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: Saberes necessário a Prática Educativa: Rio de Janeiro Paz e Terra 1999.
______. Ação Cultural para liberdade. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984.
LOPES, H. T. (org) Negro e Cultura no Brasil. Rio de Janeiro REVAN / UNESCO 1987.

SANTOMÉ, J. T. As culturas negadas e silenciadas no currículo. In: SILVA, T. T. da (org.) Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais em educação. Petrópolis: Vozes, 1995.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

FRAGMENTOS: Publicação e lançamento de livro com produções literárias de alunos


Alexandro Muhlstedt

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

(João Cabral de Melo Neto – A Educação pela Pedra, 1995)


Os profissionais do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo – Curitiba, muito se orgulham por constar em seu Projeto Político-Pedagógico, e na prática do dia a dia, o incentivo à arte e à cultura. Sendo escola pública estadual mantém entre seus princípios a oferta de atividades, no cotidiano das ações pedagógicas, que estimulam a prática criativa de seus alunos. São desafios propostos aos docentes que se expandem aos alunos, tecendo uma rede aprendizagens.
A partir disso, entende-se que a escrita de textos é uma atividade que deve ser motivada diariamente. Afinal, atualmente há uma dificuldade cada vez maior dos professores em conseguir produção escrita dos alunos, tendo em vista o vasto campo de imagens, sons e movimentos que são muito mais empolgantes que o exercício de pensar a língua de modo escrito.
Desafiados por esta questão, nasceu no Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, de Curitiba, o Projeto “Fragmentos de Prosa e Verso” com o intuito de estimular a pesquisa, a leitura e a escrita de textos.
Durante todo o mês de agosto de 2012 os professores de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental, Médio e dos Cursos Técnicos Integrados de Informática, Meio Ambiente e Secretariado pulverizaram ações de estudo, pesquisa e produção de textos. Os gêneros escolhidos foram inspirados na Olimpíada de Língua Portuguesa: Poesia, Memória Literária, Crônica e Artigo de Opinião.
Após semanas de trabalho, centenas de textos foram escritos, corrigidos e reescritos, sendo que todo o percurso de estudos e produção foi fotografado e postado no blog da escola (www.pedagogiazardo.blogspot.com).
Cada professor trabalhou com seus alunos as categorias textuais (gêneros), acompanhou a produção, corrigiu cada um dos textos, encaminhou a reestruturação e selecionou aqueles que melhor representavam o gênero e demonstravam o teor criativo do aluno. Por fim, mais de uma centena de textos foram selecionados e, por meio de parceria com a Edita Appris, publicados em forma de livro que foi denominado “Fragmentos”.
O livro é, então, resultado de um processo que percorreu a pesquisa, a leitura, a participação em Rodas de Leitura (das Casas de Leitura Manoel Carlos Karam – Parque Barigui e Maria Nicola - Santa Felicidade) e a composição de textos de temas livres. Foi empolgante perceber a diversidade de temas sobre os quais os alunos escreveram: Lugar onde moram, Primeiro Amor, Drogas, Casamento Gay, Meio Ambiente, Brincadeiras de infância, Situações do dia a dia, Transporte, Aborto, Amizade, Saudade, Perdas, Encontros, Consumismo, Copa do Mundo, Passeios, entre tantos outros.
No livro está concretizada uma atividade pedagógica rica que coincidiu com o sonho da Diretora Geral Naterci de Souza Schiavinato, no qual foram materializadas as possibilidades de “tirar leite de pedra”, estimulando os nossos jovens a viajarem pelo mundo da escrita de textos.
Nos “Fragmentos” estão marcados os momentos vivenciados pelos alunos e professores no fascinante mundo da Prosa e da Poesia. Permanecem também pequenos retalhos de descobertas neste instigante universo das Palavras da nossa Língua Portuguesa. Afinal, revelar-se por meio da escrita é uma arte e burilar as palavras é um trabalho bastante interessante e instigante.

O lançamento oficial do livro ocorreu em evento no dia 30 de novembro de 2012 no qual compareceram os alunos escritores, suas famílias, os professores de Língua Portuguesa, os profissionais da da Escola e da Editora Appris, a imprensa (Rede Massa – SBT, Jornal Comunicare – PUC e Jornal da Cidade). Os alunos, felizes, distribuíram autógrafos, deram entrevistas e, sobretudo, entenderam que a escrita é sempre uma aventura. Aventura esta que junta as palavras, a criatividade, a imaginação e o esforço.

Ante a uma atividade tão empolgante os alunos do Ensino Fundamental do turno da tarde que tiveram seus textos publicados no livro foram motivados a escreverem suas opiniões sobre isso. O que disseram pode ser conferido nas opiniões a seguir:

A ideia de lançar um livro com textos escritos pelos alunos já é surpreendente e ainda mais pelo fato do meu texto fazer parte desse livro. O lançamento desse livro, o primeiro da escola, é uma grande oportunidade. Eu acho que a ideia de criar um livro com textos de alunos do ensino fundamental e do ensino médio é uma oportunidade de demonstrar o interesse pela poesia.
Victória Ferreira Dias - 6º ano B

A atividade do livro foi bem legal, é muito bom saber porque nosso poema está no livro. É muito boa a sensação. É como se a gente fosse uma escritora ou um escritor, eu adoro escrever poemas. Essa ideia da escola é muito boa pois inspira os alunos. Eu acredito que todos estão muito felizes e espero que todos continuem com toda essa criatividade. Espero que todos gostem do livro.
Marcelle Bento da Silva - 6º ano B

O Livro, do Colégio Professor Francisco Zardo chamado Fragmentos foi muito interessante para nós alunos! Pois tem poesias, redações e histórias. Muitos alunos participaram e, principalmente eu, achei muito boa a participação neste livro. A importância de ter um livro ou no caso fazer o livro, é muito legal e bom para ler, e aprender a interpretar e criar poesias/questionários/redações, em cima das nossas! Eu recomendo a vocês que comprem para sentir o gosto da escrita, e da leitura.
Obrigado Colégio Professor Francisco Zardo, por eu ter participado do livro ''Fragmentos''!
Gustavo Henrique dos Santos - 6° ano C

Foi muito legal participar desse livro, foi interessante porque o colégio inteiro participou mas apenas alguns textos foram escolhidos. Tive o privilégio de ter o meu texto escolhido para ser publicado no livro. Essa iniciativa do colégio fazer um livro foi legal, pois um livro para publicar nossas próprias histórias.Foi melhor ainda porque cada série teve um tema diferente, assim uma história mais diferente que a outra.
Darla Schnaider - 6°ano C

A participação no livro Fragmentos foi muito legal por vários motivos, os principais são: que é feito com os amigos e também porque é interessante uma atividade assim em conjunto. A importância desse livro para o colégio é "divulgar" o colégio, e quem ler o livro pode até descobrir coisas novas sobre outras pessoas. Eu gostei muito de participar do livro, pois é uma experiência única na vida, não é todo dia que se pode escrever ou participar de um livro. Eu gostaria de agradecer ao colégio Zardo por essa oportunidade, e para ajudar o colégio eu quero divulgar o livro: FRAGMENTOS! FRAGMENTOS! FRAGMENTOS!
Cassio Tobias Garcia - 6º Ano C

Eu pensei que a minha poesia não ia entrar no livro da escola, e eu que acabei de entrar na escola não esperava que isso fosse acontecer. Eu escrevi essa poesia só para ganhar nota em Português.A professora disse para a nossa classe que as seis poesias melhores da nossa turma iam para o livro da escola.
Gustavo da Silva Kister - 6° ano C


Eu achei legal ter um texto em um livro que seria publicado. Nós tiramos várias fotos e eu fiz novos amigos, eu conversei mais com os meus amigos e eu vou ter experiências muito boas com várias pessoas legais e esse vai ser o primeiro livro da escola.
Caio da Rocha Estaflite - 6º ano C

Achei bem interessante e legal a ideia, também por incentivar vários alunos a escrever e ler. Muito bom saber que o texto que fizemos vai estar em um livro, e que muitas pessoas vão ler e descobrir novas ideias e ate mesmo incentivando amigos, famílias, a escreverem. E quem sabe esses amigos e famílias tornam-se novos e bons escritores.
Lyandra Rodrigues Faria - 7° ano A

Muito legal a ideia do livro, pois é um meio legal que incentiva a leitura e a escrita. Nossa professora nos disse que faríamos um texto que talvez fosse escolhido para o livro da escola. Nosso texto era sobre a história de alguma pessoa que conhecemos. Como tinha me esquecido de perguntar para as pessoas, na hora inventei uma história qualquer e não pensei que seria escolhido.
Daniele K. Siqueira - 7º Ano A

Eu achei a ideia do livro muito legal, pois é uma coisa que todos podem participar e todos tem o potencial para poder escrever um livro.
Este livro é muito legal porque é uma história de muitas pessoas juntas que contam sobre coisas que as pessoas já fizeram, como as memórias, crônicas, poemas, etc. Eu espero que todos gostem do livro, de todos os textos que ali contém. Quem quiser me ver estarei junto com meus amigos no dia 30 de novembro!
Leonardo Everton de Moura - 7º ano B

Eu achei muito legal escrever esse livro. Foi muito interessante porque nunca foi feito isso na escola. Eu acho que todos os que participaram gostaram. Quando a professora falou que ia ter um livro eu não acreditei, eu só fiz por fazer, mas quando eu vi que tinha sido escolhido fiquei muito feliz. Eu acho que isso vai motivar os alunos.
Gabriel Biolo - 7º ano B

Primeiro eu gostei de fazer esse texto porque é uma coisa que a gente se lembra do nosso passado ou conhecemos um pouco da infância da nossa família. O meu texto foi sobre minha mãe, ela que me ajudou e eu conheci o passado dela. Então isso foi bom.Segundo, quando soube que a história da infância da minha mãe ia para o primeiro livro do colégio eu e minha mãe ficamos felizes.
Milene Santos - 7° ano B

Quando soube que a história que minha mãe me ajudou a fazer sobre a infância dela, fiquei muito feliz porque ia a um primeiro livro da escola. Na minha turma foram 5 escolhidos para o livro. Nós tiramos fotos para a capa. Achei muito bacana fazerem um livro para nosso colégio.Estou ansiosa para a estreia.
Letícia Vieira - 7º ano B

A ideia de escrever um livro com os alunos do colégio foi muito interessante porque está incentivando os alunos a escreverem melhor e se interessarem mais pela escrita. Eu achei também muito interessante, porque raramente um livro é escrito por alunos de uma escola com editora e tudo mais. Eu achei essa ideia muito legal! Parabéns diretores e pedagogos por esse incentivo aos alunos.
Raissa Seixas - 7° ano C

Eu gostei bastante de fazer esse livro. Foi muito legal, gostei bastante porque é uma forma de me fazer ler e escrever mais. Gostei que eles vão publicar e gostei muito que vou participar dessa ideia do colégio e estou muito feliz por isso. E é claro que eu vou vender bastantes livros e muitos autógrafos! Gostaria de agradecer o Colégio Zardo por isso!
Marina Z. Emigliozzi - 7º Ano C

Eu gostei da ideia do livro, pois é uma ideia diferente para nós, Acho que é muito interessante ler o livro pois vai ter memórias, crônicas etc. E eu achei legal poder participar do livro e espero que gostem do meu texto.
Espero que vocês gostem do livro, dos textos e de tudo. E se tiverem lá, minhas amigas e eu vamos dar autógrafos dia 30 de novembro.
Lavínia Thá Rebello - 7º ano C

É bom que o colégio tenha ideias assim, incentiva a leitura e a escrita. Com isso ganhamos mais para nosso futuro. Acho que essa ideia é realmente muito boa, principalmente para nos expressarmos, para que as pessoas escutem nossas opiniões e histórias, respeitando cada um de nós independente se concorda ou não. Bem, a professora de português falou para nós falarmos com alguém de nossa família e escrevermos um texto sobre memória literária, falei com meu pai, pois ele tem umas histórias interessantes, então ele me contou três histórias e eu as anotei em meu caderno, dessas três eu escolhi uma, a mais longa e que, eu acho que tem mais a ver com memórias literárias, já que falava de uma época da infância dele. No dia seguinte entreguei para a professora e ela gostou. Na verdade o texto não é bem meu, mais sim do meu pai, que realmente vivenciou essa história e resolveu me contar.
Letícia Z. Messias - 8º ano A

A professora pediu para escrevermos um relato histórico de antigamente, de um dos nossos familiares. Então pedi para a minha tia me contar algumas de suas histórias. Pensei que não iria ser uma das selecionadas. Fui chamada na direção e falaram que eu fui uma das selecionadas.
Gostei muito da ideia do livro porque e uma oportunidade para a literatura, pois leva um pouquinho de mim para as outras pessoas.
Giovanna Roberta - 8° ano C

A professora pediu para nós fazermos um relato histórico de algum dos nossos familiares. Então pedi para minha mãe contar uma de suas histórias. Fui chamada na direção e me falaram que iria ter meu relato num livro.Eu gostei da ideia do livro pois leva um pouco da vida das pessoas para as outras pessoas e para a literatura.
Gabrielle L. Grancoski - 8° ano C


Eu gostei de fazer parte do livro do colégio Zardo pois além de ser bem legal, foi interessante. No dia a nossa professora pediu para que nós fizéssemos um relato histórico, ela pediu para que nós pedíssemos para algum parente algo de seu passado. Então pedi para minha mãe uma história de sua vida.E aí surgiu a história que escrevi para o livro.
Leandro - 8ºano C

Começou com a professora falando para a turma escrever uma Memória Literária, procurarmos saber histórias que ocorreram em nossa família, principalmente da parte dos avós; a maioria dos alunos não gostou do fato de ter que escrever um texto sobre uma coisa que já aconteceu, mas teve alunos (como eu) que gostaram da ideia; como eu adoro ler e escrever para mim foi um "presente" o fato de um texto meu estar em um livro, ainda mais o primeiro do colégio. Acho que o fato de o colégio ter tido essa ideia de criar um livro, serviu principalmente para incentivar cada vez mais os alunos a terem interesse de ler e escrever. A importância da escrita para mim, é como se fosse uma forma de criar outra vida, outro mundo seu, e compartilhar com todos... Ler histórias sobre, romance, suspense, aventura etc, dá um ar de entrar em outro mundo e ver que é possível viver além do que já vivemos, que não é uma utopia imaginar uma nova forma de todos viverem; na minha opinião, todos os jovens, deveriam ser incentivados pela sociedade para ler mais, se expressar através da leitura, e não ser incentivado a ficar mais em computadores, celulares etc, pois é isso que está acontecendo quando se cria mais tecnologias que tem como principal alvo os adolescentes. Mas o fato de querermos que todos se interessem pela leitura, hoje ainda é meio que um "sonho" mas espero que daqui um tempo esse sonho se realize e comece a ser um sonho lido e vivido, por todos.
Sarah Maas - 9º ano A

Esse projeto a princípio teve como objetivo nos mostrar como e o que era a memória literária. Era para serem feitos textos, histórias de alguns fatos marcantes da vida de nossos avós principalmente, enfim de pessoas mais velhas. Foi um projeto interessante, principalmente para mim, que procurei saber histórias do meu pai, que são histórias que muitas vezes me comovem. Enfim, não sabia que isso poderia ser publicado em um livro e confesso que fiquei feliz por saber disso. Acho a leitura algo essencial na vida de todos, é uma forma de viajar por vários lugares, conhecer "pessoas" sem ao menos se locomover. Além é claro, de facilitar a escrita, e aflorar nossa imaginação. A leitura e a escrita para mim são essenciais, pois muitas vezes consigo transformar o que sinto em meras palavras, ou ler alguma coisa que me identifico, e me sentir bem de certa forma. Tenho vários textos meus que tenho certa pretensão em publicá-los, alguns eu publico em um blog que eu tenho, mas nada muito sério. É isso, o efeito da leitura, palavras em geral, tem um efeito incrível na vida das pessoas. Pena que pouca gente aprecie isso.
Franciele Mayãn - 9º ano A

Achei a ideia de fazer um livro para a escola muito interessante porque nunca se havia feito isso, e o mais legal é que eu estou participando do primeiro livro da escola. Fiz o texto porque era uma lição de português, não fiz para ele parar num livro, mas sim para ganhar nota. Fiz por fazer, bem rápido. Mas já que foi parar num livro, estou muito feliz por isso.
Jhonathan Filipe - 9º ano C











terça-feira, 4 de dezembro de 2012

GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL NO CONTEXTO ESCOLAR: Refletindo e elaborando alternativas de trabalho no Colégio Estadual Professor Francisco Zardo

Alexandro Muhlstedt

INTRODUÇÃO

O presente documento é resultado dos estudos empreendidos por um grupo de professores do Colégio Estadual Professor Francisco Zardo, de Curitiba, por meio do Grupo de Estudos semi presencial, ofertado pela Secretaria de Estado da Educação (SEED) e organizado pelo Departamento da Diversidade.
Trata-se de estudos sobre a temática Gênero e Diversidade Sexual.
A sexualidade humana sempre foi abordada com receios e certo rigor impostos pelos moldes sociais. No entanto, trata-se de algo inerente ao ser humano, o que implica necessariamente pensar na diversidade sexual e mesmo utopicamente pensar nos princípios de igualdade, de liberdade e de fraternidade, preceitos básicos para a convivência em sociedade, advindos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) e dos valores da democracia, assegurados pela Constituição Federal de 1988.
Em uma sociedade marcada pela heterogeneidade e pela diversidade de identidades de gênero e sexuais, pode-se voltar o olhar se volta para a escola, considerando-a um ambiente profícuo para a equidade de gênero e para a diversidade sexual. O que nem sempre ocorre, pois ainda se observa uma prática pedagógica que tem como suporte norteador valores socioculturais baseados em uma cultura heteronormativa. Esse posicionamento alija aqueles que são considerados por ela como “anormais”, como é o caso dos jovens homossexuais no espaço escolar.
Assim, estudar gênero e diversidade sexual na escola deve ter como mote fazer emergir reflexões sobre as práticas existentes no ensino e na formação de professores.

1. Justificativa

Nos últimos anos, vivemos um "boom" de quebra de paradigmas, ideologias, mudanças de comportamentos, que não deixam mais que minorias excluídas fiquem caladas. Mesmo assim, ainda é muito delicada a abordagem de comportamentos com relação a temática de gênero e diversidade sexual. Isso ocorre porque, dependendo de como o professor aborda (e quanto a isso, o professor deve estar muito bem preparado, tanto emocional como juridicamente) muitos pais podem pensar que este estaria interferindo na sexualidade de seus filhos. Algum comentário mal colocado, alguma opinião pessoal do professor pode vir a desencadear questionamentos de toda ordem, ameaças, processos, etc. Assim, se o assunto será abordado na aula, temos que deixar que eles (os alunos) falem.
Sendo um assunto delicado, porque lida com a intimidade da pessoa, envolve questões emocionais, histórias, valores, sentimentos. É essencial trabalhar o tema em sala porque um dos objetivos do trabalho com o aluno é ensiná-los a serem mais justos e compreensíveis, dentro de uma sociedade que é bastante “cruel” e desumana.
Segundo Louro (2000, p. 81) trabalhar a temática da diversidade sexual na escola é compreender que “...a presença da sexualidade independe da intenção manifesta ou dos discursos explícitos, da existência ou não de uma disciplina de Educação Sexual, da inclusão ou não desses assuntos nos regimentos escolares. A sexualidade está na escola porque ela faz parte dos sujeitos, ela não é algo que possa ser desligado ou algo do qual alguém possa se 'despir'.”
Outro motivo é contribuir para que os alunos desenvolvam atitudes não preconceituosos em relação quem é diferente (deles), seja com relação à cor, sexo, etnia, religião, etc.., compreender que tudo passa pela tolerância e intolerância. Nesse aspecto, percebe-se que existe um certo medo da “contaminação”, do “ensinamento da homossexualidade”. Porém, isso explicita justamente o fato de que a condenação dos gays é feita essencialmente por aqueles que desconhecem o assunto, e se recusam a conhecê-lo. Esquecem que conhecer para respeitar é fundamental.
É preciso, então, valorizar as diversidades, evitando “reduzir o multiculturalismo a uma questão de informação” (SILVA, 2000, p. 106), incluindo nessa proposta as identidades de gênero e sexuais, uma vez que

diferentes currículos produzem diferentes pessoas, mas naturalmente essas diferenças não são meras diferenças individuais, mas diferenças sociais, ligadas à classe, à raça, ao gênero. Dessa forma, uma história do currículo não deve ser focalizada apenas no currículo em si, mas também no currículo como fator de produção de sujeitos dotados de classe, raça, gênero. Nessa perspectiva, o currículo deve ser visto não apenas como a expressão ou a representação ou o reflexo de interesses sociais determinados, mas também como produzindo identidades e subjetividades sociais determinadas. O currículo não apenas representa, ele faz. É preciso reconhecer que a inclusão ou a exclusão no currículo tem conexões com a inclusão ou exclusão na sociedade (SILVA, 2011, p.10).

Quando na mídia o assunto homossexualidade é transformado numa consequência da (má) educação, ou da falta de afeto, com "falas" de que se trata de um fator de moda, externo, imposto ao indivíduo frágil e influenciável, é negar que uma pessoa possa expressar por si própria a atração por outros do mesmo sexo. Por isso mesmo, os educadores devem conhecer, respeitar e tratar do tema à luz dos direitos humanos, como forma de expressão e liberdade. Afinal, a escola também é um espaço fundamental de construção de novas práticas e atitudes, além de ser o lugar de socialização de conhecimentos científicos e técnicos (que orientam, junto com a família e outros espaços e agentes, o comportamento social). Até porque escola é um ponto privilegiado para trabalhar a diversidade da cultura humana e os valores éticos de respeito ao outro.

2. Problemática

Britzman (1996) lembra alguns dos medos que assombram educadores e educadoras profissionais, pais e mães ao lidar com questões da sexualidade. Um deles é supor que falar sobre homossexualidade pode levar garotos e garotas a se tornarem homossexuais; outro receio é de que aquele ou aquela que fala sobre essa prática em termos simpáticos ou não preconceituosos possa vir a ser reconhecido como gay ou lésbica. Para escapar desse perigo, muitos adultos preferem dizer que não sabem nada sobre a homossexualidade, que não entendem disso, ainda que essa afirmação possa significar uma demonstração de ignorância da sexualidade. Esse tipo de atitude – “não tenho nada a ver com isso” – nega o fato de que as identidades sexuais são, todas, interdependentes, quer dizer, nega que as identidades sexuais (como qualquer identidade) se fazem em relação umas com as outras. Para que alguém possa dizer eu sou heterossexual, ele ou ela precisará, necessariamente, lidar com a identidade homossexual – ainda que seja para negá-la, para dizer o que ele ou ela não é.
A diferença é sempre construída numa relação.Se é papel da educação fomentar a construção de uma ética fundada no respeito aos direitos humanos, condição básica para a vida em sociedade, os professores devem, então, estar atentos aos estereótipos de gênero, à homofobia e intervir em toda e qualquer situação de preconceito, reforçando a dignidade humana, a defesa da cidadania.
Desse modo, construir-se-á, no cotidiano da escola, por meio de atitudes, a melhora do comportamento dos alunos, sobretudo em atitudes de maior tolerância e respeito.

3. Objetivos

  • Trabalhar as questões do preconceito, levando os alunos a entenderem e respeitarem a orientação sexual do outro.
  • Conhecer melhor as questões da Diversidade Sexual e de Gênero no contexto da escola.
- Manter Fórum permanente de discussão e troca de informações no blog do grupo de estudos.
- Fomentar a temática sobre gênero e diversidade sexual nas semanas e reuniões pedagógicas.
- Realizar o estudo dos temas (conteúdos) da Diversidade presentes na Proposta Pedagógica Curricular.
- Desenvolver atividades com os alunos que envolvam o conhecimento e o respeito à Diversidade.
- Organizar práticas escolares que levem em consideração a Diversidade existente nas salas de aula.

4. Conteúdos

Os assuntos, ou conteúdos, estão presentes na Proposta Pedagógica Curricular do Colégio Zardo.
Em 2011 foi realizado um conjunto de atividades com o intuito de definir os conteúdos de cada uma das legislações solicitadas nas diferentes disciplinas do currículo escolar. Dentre elas questão de gênero e diversidade sexual.
Discutir a homossexualidade em sala de aula é um caminho possível para refletir sobre a diversidade. Para isso, valem as discussões sobre as imposições dos determinismos cultural e biológico. Papéis das pessoas de sexo masculino ou feminino impostos por concepções meramente biológicas acabam sufocando o direito de exercer a diversidade. Isso se complica quando a cultura reforça apenas duas possibilidades com base nos órgãos sexuais.
Outros temas que podem ser trabalhados são: o sexo, a sexualidade, a raça, a etnia, o gênero e a educação sexual. Tudo isso debe ser abordado desde a infância pois são conhecimentos imprescindíveis à formação integral da criança e do jovem.
Louro (2000) ensina que “como educadoras e educadores precisaríamos, pois, voltar nosso olhar para os processos históricos, políticos, econômicos, culturais que possibilitaram que uma determinada identidade fosse compreendida como a identidade legítima e não-problemática e as demais como diferentes ou desviantes. Há que se analisar também as formas como a escola tem lidado com essas questões”.
Várias questões podem ser abordas como conteúdos de aula, como por exemplo: o mundo do privado e do doméstico; as muitas formas de viver o feminino e o masculino, a família, as relações amorosas, a maternidade e a paternidade; o erotismo e o prazer. Também é possível realizar boas análises sobre questões da sexualidade exercidas pelo cinema e pelas revistas masculinas ou as revistas de boa forma, pelos quadrinhos e desenhos animados, pelos blogs e pelos livros de autoajuda, pela publicidade ou pelos bailes da terceira idade que, de um modo ou de outro, estão no cotidiano dos alunos e são fundamentais na construção de identidades de gênero e sexuais.

5. Metodologia e estratégias

Cabe a cada professor incluir e desenvolver os temas de acordo com a sua dinâmica de trabalho.
No Colégio Zardo existe a prática de utilizar o blog da pedagogia como um espaço para divulgar ações dos temas da diversidade. Assim, publica-se material dos alunos (fotos, textos, vídeos) além de avaliar o conhecimentos dos mesmos por meio de seus comentários.
Na questão de gênero e diversidade sexual pode-se trabalhar o tema no teatro (dramatizar, improvisar, contar), pesquisar, debater, ver trechos de filmes, entre outras formas. Os pais devem estar cientes destes temas relevantes, pois alguns temas abordam estruturas de formação de conceitos formados por família, por isso, conta muito conhecer quem são os alunos e estar bem preparado com conhecimento de causa e amparados legalmente, se necessário for.
Sempre que há uma oportunidade trazer o tema para a sala de aula, visando o amor ao próximo independente de sua cor, etnia e opção sexual. Todos têm direito a ter opiniões, concordar e discordar, vivemos em um país livre, porém sem a discriminação e o preconceito, pois atos desse tipo geram a violência que pode ser física, verbal ou emocional.
Uma das formas para se trabalhar o tema é através de filmes, documentários e palestras, porque quanto mais se evita discutir o assunto, mais aumenta o preconceito.
No cotidiano da escola, há um lema do tipo “Não se fala muito nisso na escola”. Ao utilizar o filme "Billy Elliot", para concluir o conteúdo de dança houve um certo receio de que algum pai ou mãe viesse até a escola questionar o porquê do uso daquele filme, porque já houve professores que tiveram problemas por exibirem filmes desse tipo. O conteúdo do filme aborda de maneira muito madura e bem resolvida a questão da masculinidade e do ballet, mas existe uma opinião machista de que homens que são "homens", não podem gostar de dançar ballet. Felizmente não houve nenhum problema.
Essas ações são as que devem ser desenvolvidas na escola. Os filmes são fortes aliados para falar sobre o assunto, haja visto os quatro filmes sugeridos para nortear as discussões. Ao utilizar filmes que façam abordagem com os conteúdos de gênero e diversidade sexual desenvolve-se uma ótima maneira do professor abordar e verificar em forma de seminário, discussões ou mesmo atividades escritas se o aluno mudou seu pensamento em relação a preconceitos quanto à diversidade, e em, consequência, mudou também postura e comportamento.
Abordando o assunto da diversidade sexual através de vídeos, documentários, reportagens e textos, pode-se contribuir para a ampliação e o aprofundamento desse debate e também para uma melhor compreensão da homofobia, seus efeitos e suas relações com outros tipos de discriminação.
Uma estratégia que pode ser utilizada para abordar a questão é fragmento de vídeos onde haja questões relativamente polêmicas. Por exemplo: violência contra mulheres, contra atividades realizadas por meninos e que são consideradas das meninas ou vice-versa. Os alunos mesmos, muitas vezes, indicam filmes com essas temáticas e sobre a homossexualidade. Isso gera um clima de debate e análise de tal modo que muitos acabam se expressando de forma madura e coerente sobre essas temáticas.
Filmes podem ser bons motivos para desencadear uma gama de discussões e percepções do que se passa na cabeça dos alunos.
Para ampliar o debate, nas semanas pedagógicas de fevereiro e julho, o grupo desenvolverá apresentação sobre as questões da Diversidade Sexual e Gênero.
Nas reuniões pedagógicas on line, haverá um tema relacionado à gênero e diversidade sexual para estudos pelos professores.
Para o cotidiano da escola, prever no Plano de Trabalho Docente os conteúdos da Diversidade Sexual e Gênero.
Organizar a presença do tema Diversidade Sexual e Gênero em texto no Projeto Político Pedagógico.

6. Avaliação

Para efetivar um processo de avaliação coerente, poderá ocorrer a implementação das temáticas e metodologias apontadas aqui, verificando a comprometimento dos alunos e, a partir das análises e conclusões das discussões, o avanço na compreensão dos processos histórico e ideológicos sobre gênero e diversidade sexual em nossa sociedade.
O professor pode verificar também a participação e o envolvimento dos alunos nos estudos dos temas através de pesquisas de videos, textos e imagens na Internet, workshop, enfim, provocando reflexões e propiciando visibilidade a diversidade Sexual e Gênero.
Também, efetivar a verificação da participação e envolvimento do estudante no estudos dos temas, por meio de instrumentos de avaliação como relatórios, textos, imagens, produção de material, elaboração de vídeos, cartazes e livros. Pode-se também analisar comentários em blog sobre o assunto.

7. Recursos

Uso das tecnologias da informação (computador com Internet) para realizar os estudos no blog, postagens e comentários.
Datashow para apresentação da proposta aos professores.
Texto impresso com os conteúdos previstos, bem como a versão digital a ser entregue no pen drive.
Caderno temático sobre Sexualidade.

8. Articulação do grupo

O grupo de professores criou um blog na Internet (www.grupodeestudoszardo.blogspot.com) no qual foram sendo postados os materiais enviados pelo Departamento da Diversidade, bem como outros textos, vídeos e imagens sugeridos pelo grupo. Tornou-se o espaço, além do correio eletrônico, no qual o grupo manteve a comunicação e a partilha de informações.
Num primeiro momento, foram estudados os textos do Caderno Temático “Sexualidade”, elaborado pelos técnicos do Departamento da Diversidade (Secretaria de Estado da Educação), no qual foi possível compreender melhor as questões de gênero e diversidade sexual.
Num segundo momento, foram vistos quatro vídeos: “Propaganda irlandesa contra a homofobia”, "Não Gosto dos Meninos", "Eu Não Quero Voltar Sozinho" e “Acorda, Raimundo, acorda”, os quais proporcionaram inúmeras discussões e reflexões acerca da temática gênero e diversidade sexual.
A propaganda irlandesa desencadeia questionamentos sobre o bullying homofóbico. É uma peça publicitária intitulado "Stand Up! - Don't Stand for Homophobic Bullying", que faz parte da campanha "Stand Up! LGBT Awareness Week!" criada pela organização Belong To que é voltada a jovens gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros entre 14 e 23 anos.
O documentário "Não Gosto dos Meninos" apresenta uma abordagem positiva e ao mesmo tempo cautelosa (no sentido de não deixar transparecer que a vida, em qualquer orientação, é um jogo fácil) dizem muito mais do que um longa diria a respeito. Este documentário explora aspectos sobre a vida de um grupo de pessoas e deixa claro que a direção que deram às suas vidas é apenas um detalhe.
Já "Eu Não Quero Voltar Sozinho" é uma história bonita e sensível envolvendo a temática gay. É um curta metragem bastante coeso. Tudo acontece de modo muito bem feito pelo diretor. A maior qualidade desse maravilhoso curta é a sutileza. O amor (independente de ser de um garoto por outro garoto) é tratado da forma mais certeira possível: puro sem parecer inocente demais e verdadeiro sem apelar para maiores invenções. Tudo é verossímil, o que deixa a sensação de que aquela história que está se desenvolvendo é universal. Este é um filme sobre descobertas: descobertas na vida, no amor, na homossexualidade, no companheirismo… E isso sim deve ser tema para investigar, analisar e sensibilizar.
Também foi analisado o vídeo “Acorda, Raimundo, acorda”, o qual apresenta a realidade cotidiana de forma invertida entre os sexos. Para os homens, essa situação é apresentada como um verdadeiro pesadelo. Um pesadelo do qual homens e mulheres devem acordar. A análise gira em torno dos papeis sexuais na sociedade.
Por fim, houve a postagem de comentários, no próprio blog. E assim, foi possível sistematizar os posicionamentos do grupo referente à temática estudada, bem como estabelecer ações para trabalhar pedagogicamente com o assunto em sala de aula.

9. Considerações Finais

Ao discutir a problemática que envolve currículo e identidades sociais, Tomaz Tadeu da Silva aponta acertadamente a questão da representação e da produção de identidades e subjetividades no contexto escolar argumentando que “não existe identidade sexual que não seja já, de alguma forma, discursiva e socialmente construída” (2002, p. 94). Portanto, a escola como instituição formadora de opinião e com o dever de formar o aluno para a cidadania, não pode continuar propagando ideias, conceitos que alimentem o preconceito e a discriminação contra o ser humano. Em pleno século XXI, não dá mais para se pensar em um ensino pautado para a prática excludente, onde reina uma visão monolítica de sociedade. Já é hora de tentar reverter essa situação de discriminação contra mulheres, negros, nordestinos, indígenas, homossexuais, bissexuais, travestis, transexuais, entre outros, a fim de que a escola possa, de fato, direcionar o ensino para a formação de cidadãos e cidadãs com plena consciência de que devemos conviver pacificamente e respeitar toda raça e cultura humana.
Através de discussões como as que ocorreram durante o estudo dessa temática ficou evidente a necessidade mais momentos de análise, reflexão e interação entre os professores para que estes desenvolvam ações levem os alunos a interagir com seus pares e formar opiniões saudáveis sobre sexualidade, gênero e diversidade sexual. É necessário mostrar aos jovens que a sua afirmação como seres sexuados, assim como rituais de passagem para a vida adulta, não devem acontecer atrelados a uma gravidez aos 12 anos ou a um aborto clandestino que podem ocasionar problemas de saúde individual e também coletiva, comprometendo a sua vida sexual futura.
É necessário estar aberto às discussões e abordagens relacionadas à sexualidade sob diferentes aspectos que não só o biológico, almejando formação específica e não apenas vontade para trabalhar com as questões de gênero e diversidade sexual na escola.

10. REFERÊNCIAS BIBLOGRÁFICAS

BRASIL. Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. Brasília: Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Ministério da Educação, Ministério da Justiça, UNESCO, 2008.
BRITZMAN, D. O que é essa coisa chamada amor: identidade homossexual, educação e currículo. Revista Educação e Realidade. Porto Alegre: UFRGS, Faculdade de Educação, vol. 21, n. 1, jan./jun. 1996.
COLÉGIO ZARDO. Projeto Político Pedagógico. Curitiba, 2011.
_______. Proposta Pedagógica Curricular. Curitiba, 2011.
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, 1948. Disponível em http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm. Acesso em 01 de junho de 2012.
FIGUEIRÓ, Mary Neide Damico. Educação sexual: retomando uma proposta, um desafio. Londrina: Ed. UEL, 2001.
LOURO, G. L. Currículo, gênero e sexualidade. Porto: Porto Editora, 2000.
_____. (Org.). O corpo educado: pedagogias da sexualidade. Belo Horizonte: Autêntica, 2007.
MOITA LOPES, L. P. da. Identidades fragmentadas: a construção discursiva de raça, gênero e sexualidade em sala de aula. Campinas: Mercado de Letras, 2003.
SILVA, T. T. da. Documentos de Identidade: uma introdução às teorias do currículo. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.